Maternidade aPita | Dormir deixou de ser garantido

Episódio 5

A privação de sono é, talvez, o meu maior desafio.
Eu preciso mesmo de dormir. Sempre precisei. O meu cérebro pára quando não durmo. O meu humor fica completamente alterado.

Eu sou aquela pessoa que dormia facilmente 9 horas seguidas.

Antes de ser mãe, achava que sabia o que era estar cansada. Hoje percebo que não fazia ideia.

Existe aquela expectativa de que “os bebés dormem muito”.

O Vicente nunca foi um bebé de dormir muito.

No início era o estado de alerta constante.

Acordava muitas vezes sem ele sequer chorar. Era só para confirmar que estava tudo bem. Para olhar para ele. Para ver se estava a respirar.

A maternidade também traz isso: um nível de alerta que eu nunca tinha sentido antes.

As noites deixam de ser nossas. Passam a ser feitas de despertares, de pequenas pausas de sono, de um ouvido sempre atento.

E depois há o dia seguinte.

O corpo cansado. A cabeça cansada. O pensamento bloqueado, querer reagir e não conseguir. A sensação de que o descanso nunca chega verdadeiramente.

Durante muito tempo ouvi a frase:

“Dorme quando o bebé dorme.”

E eu pensava… mas como?

Às vezes ele dormia 20 minutos. Outras vezes era o único momento do dia para respirar um bocadinho.

No meio de tudo isto também aprendemos a adaptar-nos.

Aprendemos a funcionar cansadas. A valorizar pequenas vitórias: uma sesta mais longa, uma noite um pouco melhor, um dia em que sentimos que conseguimos respirar.

E depois há o impacto no casal.

Porque quando estamos cansados, tudo pesa mais.

As palavras, os silêncios, as pequenas coisas.

A privação de sono também testa o casal. Testa a paciência, a comunicação e a capacidade de continuarmos a funcionar como equipa.

Mas também nos obriga a estar mais atentos um ao outro.

A perceber quando o outro precisa de ajuda, de descanso ou simplesmente de silêncio.

Com o tempo, começamos a adaptar-nos.

Não sei se o corpo se habitua… mas aprende a sobreviver assim.

A maternidade também é feita destas noites partidas.

No meio do cansaço, das noites interrompidas e dos despertares constantes, também há amor.

Muito amor.

E há uma certeza:
um dia vamos voltar a dormir.

Mas talvez sintamos saudades destas noites também.

Ficas para o próximo capítulo?

Isto é Maternidade aPita,
por Tatiana Pita, no The Glitter Dream.

#GlitterUpYourLife