Ana Galvão, comunicadora e uma das vozes mais reconhecíveis em Portugal, atravessa há anos a rádio, a televisão e o digital com naturalidade. Nesta conversa, fala sobre a velocidade do digital, a idade como falso obstáculo e o que continua a distinguir os diferentes meios onde comunica.
Achas que o humor mudou de registo desde que se instalou de vez no digital, ou é só uma questão de formato mais curto?
Mudou na diversidade, mas sobretudo na velocidade.
Como descreves o teu papel neste ecossistema? Sentes-te mais criadora, comunicadora ou as duas coisas ao mesmo tempo?
Sobretudo comunicadora, até porque o que publico digitalmente está muitas vezes associado ao que faço na rádio.
O digital tem fama de ser um mundo de gente jovem. Sentes essa pressão etária na forma como pensas o teu conteúdo?
Não, porque há muita gente da minha idade à procura de conteúdo no digital. Aconteceu na rádio onde, sendo eu bem mais jovem, fiz programas para pessoal bem mais novo (a palavra “pessoal” denota bem a minha idade). Agora sei que comunico com gente mais velha.
Há ótimos criadores de conteúdo para pessoas mais velhas, e é muito bem aceite, há bastante terreno fértil nessa área.
Vês-te como uma influencer?
Só na medida em que estar num sítio onde se é visto e ouvido pode levar alguém a pensar algo de forma diferente. Mas na forma como se usa agora a palavra, como alguém que cria tendências, isso não me sinto nada.
O que é que o digital te dá que a rádio e a televisão não te dão, e vice-versa?
O digital dá rapidez de informação que outro meio não alcança, em ideias, na possibilidade de espreitar o que se faz noutros países, e conteúdo muito variado à hora que eu quero. E permite, por exemplo, a proximidade com personalidades que se admira.
Por outro lado, a TV e a rádio dão-me mais credibilidade na sua informação. No digital já é preciso filtrar muito.
O que gostarias de ver mudar na forma como se fala de humor feito por mulheres em Portugal?
Nada em concreto relativamente a mulheres, até porque estamos muito bem de momento.
Mas no humor em geral, gostava que todos aligeirássemos um pouco, que se perceba que é só algo que existe para fazer rir.
Recentemente, juntaste-te à Notable. O que muda no dia a dia do teu trabalho e há alguma coisa que só agora, com esta mudança, sentes que podes fazer e antes não tinhas espaço para isso?
Como a Notable é uma agência grande, com muitas pessoas que trabalham em várias áreas muito bem e muito rápido, a maior mudança é sentir que existe apoio para qualquer ideia ou trabalho que tenha pela frente, em todas as suas vertentes. Isso dá-me muito conforto e confiança. Para além de estarem lá a trabalhar ótimos jovens (!) que com certeza me vão ensinar muita coisa.
Não é só questão de espaço, o que sinto é que é questão de qualidade em tudo.
#GlitterUpYourLife