Há um momento curioso na vida adulta em que percebemos uma coisa que nunca nos tinha passado verdadeiramente pela cabeça: os nossos pais também não sabiam muito bem o que estavam a fazer.
Durante a infância, vemos os pais como uma espécie de autoridades absolutas. Sabem tudo. Decidem tudo. Têm respostas para tudo. São eles que explicam como o mundo funciona, que dizem o que está certo ou errado, que parecem sempre ter um plano.
E nós acreditamos nisso durante muito tempo.
Depois crescemos. Começamos a ter as nossas próprias responsabilidades, decisões difíceis, dias confusos. De repente, percebemos que a vida adulta não vem com manual de instruções. Que muitas vezes estamos só a tentar fazer o melhor possível com a informação que temos naquele momento.
É aí que a perspetiva muda.
Começamos a olhar para os nossos pais de outra forma. Talvez lembrarmo-nos de decisões que antes nos pareciam incompreensíveis. Frases que diziam. Preocupações que tinham. Regras que insistiam em manter. E começamos a perceber: provavelmente estavam só a improvisar.
Não no sentido de negligência ou falta de cuidado. Pelo contrário. Estavam a tentar navegar pela vida como todos nós fazemos. A trabalhar, a pagar contas, a lidar com medos, a tentar proteger os filhos enquanto também descobriam quem eram.
A verdade é que ninguém nasce preparado para ser pai ou mãe. Aprende-se no processo. Com erros, tentativas, noites mal dormidas e muitas decisões tomadas sem certezas absolutas. Quando essa consciência chega, algo muda dentro de nós. Algumas coisas que antes pareciam injustas tornam-se mais compreensíveis. Algumas falhas tornam-se mais humanas. E até certas memórias ganham uma nova camada de significado.
Perceber que os nossos pais também estavam a improvisar não diminui aquilo que fizeram. Na verdade, muitas vezes aumenta o respeito. Porque significa que, mesmo sem ter todas as respostas, continuaram a tentar.
E talvez seja isso que define quase todas as gerações antes de nós: pessoas a tentar fazer o melhor possível com o que sabiam naquele momento. No fundo, crescer também é isto.
Perceber que os adultos que nos criaram nunca foram super-heróis. Eram apenas pessoas, com medos, dúvidas e um enorme esforço para acertar mais vezes do que falhar.
E talvez um dia os nossos filhos olhem para nós da mesma forma.
#GlitterUpYourLife