Que tipo de mãe és tu?

Há uma imagem de mãe que nos foi vendida durante décadas. Cabelo arranjado, casa impecável, jantar na mesa a horas, paciência infinita, sorriso permanente. Uma mulher que nunca está cansada, nunca perde a cabeça, nunca tem dúvidas. Uma mulher que se apaga completamente para que os filhos brilhem.

Essa mulher não existe. E ainda bem. As mães reais são muito mais interessantes, muito mais complexas e muito mais humanas do que qualquer ideal fabricado. São contraditórias, são imperfeitas, são engraçadas e assustadoras e ternurentas e exasperantes, às vezes tudo no mesmo dia, às vezes tudo na mesma hora.

No Dia da Mãe, em vez de mais uma lista de prendas ou de frases inspiracionais, decidimos fazer algo diferente: um retrato honesto dos tipos de mãe que existem mesmo. Reconheces-te em algum?

A mãe hiperorganizada

O calendário dela tem cores diferentes para cada filho. A mochila escolar está sempre pronta na noite anterior. Os aniversários estão marcados com um mês de antecedência e as prendas compradas com dois. Sabe de cor os horários de todas as atividades extracurriculares, o nome da professora de cada disciplina e a data da próxima reunião de pais.

Por fora parece que tem tudo sob controlo. Por dentro, a lista mental nunca para. É ela que carrega a carga invisível da família, aquela que ninguém vê mas que pesa todos os dias: lembrar, planear, antecipar, resolver antes que o problema aconteça.

A mãe cool

Os filhos dos amigos adoram-na. É a mãe que deixa ficar até mais tarde, que conhece as músicas que eles ouvem, que não entra em pânico com as escolhas de roupa nem com as horas a que chegam a casa ao fim de semana. Trata os filhos como pessoas, não como projetos a gerir.

Às vezes questiona-se se devia ser mais rígida. Se o facto de ser amiga dos filhos significa que está a falhar em alguma coisa. Não está. Está simplesmente a criar uma relação onde os filhos sabem que podem vir ter com ela quando as coisas correrem mal, e isso vale muito mais do que qualquer regra.

A mãe ansiosa

Pesquisou todos os sintomas possíveis no Google antes de ir ao médico. Tem o número de urgência memorizado. Acorda a meio da noite a pensar se o filho está coberto. Quando não dão sinal de vida por mais de duas horas, já construiu três cenários diferentes na cabeça, nenhum deles bom.

O mundo assusta-a porque ama demasiado para fingir que não tem perigos. A ansiedade não é fraqueza, é amor sem para-brisas, amor exposto a tudo.

A mãe que trabalha sem culpa (ou a tentar)

Acredita que os filhos precisam de a ver realizada, não apenas disponível. Escolheu a carreira e a maternidade em simultâneo e recusa-se a pedir desculpa por isso. Mas há dias em que a culpa aparece na mesma, silenciosa, quando perde uma festa escolar ou quando chega tarde a mais uma vez.

A sociedade não a ajuda muito nesta equação: ou é mãe a tempo inteiro ou é profissional que não se sacrifica o suficiente. O meio, que é onde ela vive, raramente recebe aplauso. Merecia.

A mãe que perdeu a paciência hoje

Gritou esta manhã. Não era suposto, não estava no plano, e agora sente-se péssima com isso. Está a tentar ser melhor do que os modelos que teve, a construir uma forma de ser mãe que não aprendeu em casa, e às vezes o esforço é tanto que colapsa exactamente no sítio errado.

Esta mãe merece um artigo inteiro só para ela. Porque a mãe que pede desculpa aos filhos, que reconhece quando errou, que tenta de novo no dia seguinte, está a ensinar algo que nenhum livro de autoajuda consegue transmitir: que os adultos também falham, que pedir desculpa é força e não fraqueza, e que o amor não é a ausência de conflito mas a capacidade de continuar mesmo depois dele.

A mãe que está a fazer isto sozinha

Não há segundo adulto em casa para partilhar as decisões difíceis, os medos das três da manhã, a logística interminável. É ela para tudo: o sustento, o carinho, a disciplina, o colo, o exemplo. Quando adoece, não há plano B. Quando está exausta, continua na mesma.

É provavelmente a mais invisível de todas porque o esforço que faz é tão constante que já parece normal para quem está de fora. Não é normal. É extraordinário.

A mãe que ainda está a descobrir quem é

A maternidade mudou-a de formas que ainda está a processar. Há partes de si que reconhece, outras que desapareceram, outras novas que ainda não sabe bem como nomear. Ama os filhos com uma intensidade que a surpreende todos os dias. E ao mesmo tempo às vezes sente falta de si própria, da pessoa que era antes, e sente-se culpada por isso também.

Não há um tipo de mãe certo. Há o teu, com as tuas circunstâncias, a tua história, os teus recursos e os teus limites. O que todas têm em comum, independentemente do estilo, da personalidade ou do caos diário, é que aparecem. Todos os dias, de uma forma ou de outra, aparecem.

Feliz Dia da Mãe, seja qual for o tipo de mãe que és.

#GlitterUpYourLife