E de repente…já nos 40! – Ando a mil!

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

Digam-me uma coisa: sou só eu ou 2026 decidiu beber três cafés seguidos e sair disparado sem avisar ninguém? Ainda ontem estava a fazer resoluções de Ano Novo e, de repente… pumba, final de março. Eu ainda estou naquela fase mental de “pronto, agora é que o ano vai começar a sério”.

Entre compromissos, ideias, trabalho e a vida a acontecer a uma velocidade que nem o GPS acompanha, parar para respirar e escrever tem sido um verdadeiro desafio. E claro, quando achamos que finalmente temos tudo mais ou menos alinhado, o universo chega de fininho, dá uma palmadinha nas costas e diz: “olha que não”. Troca-nos as voltas todas. Está tudo certo, eu confio! Mas jurava que este ano ia abrandar… quando na verdade sinto que vou em primeira, pé colado ao acelerador e sem grande intenção de tirar.

A Tatiana dos 30 e tal anos, nesta altura, já estaria em modo overthinking profissional. A rever tudo mil vezes, a perguntar-se se está a fazer bem, se podia fazer melhor, se alguém reparou naquele pequeno detalhe que só ela acha gigantesco. Já a Tatiana de quase 44… respira fundo, olha para a situação e pensa: “estou a dar o meu melhor, e isso chega perfeitamente”. E que sensação maravilhosa é esta de já não ter nada a provar a ninguém!

Calma, não confundam isto com arrogância. Eu continuo a fazer respirações profundas quando o coração decide correr uma maratona sem autorização e ainda tenho muitas reuniões internas comigo própria, daquelas sérias, tipo “Tatiana, vamos lá ter calma”. Mas há uma coisa que mudou mesmo: o medo já
não manda em mim. Pode aparecer de vez em quando, mas já não tem direito a voto nas decisões importantes.

E isto, para mim, é uma conquista gigante. Porque quando uma mulher se sente segura, empoderada e respeitada, muda tudo. Muda a forma como fala, como decide, como ocupa o seu espaço no mundo. Infelizmente, sabemos que nem sempre é assim para todas, mas também sabemos que cada mudança grande começa numa mudança pequenina cá dentro.

E depois há a vida em casa, que é o nosso maior palco de exemplo. Porque se há coisa que acontece quando uma mulher tem filhos é isto: nasce uma vontade quase absurda de ser melhor. Melhor pessoa, melhor exemplo, melhor versão de si própria. Não perfeita, porque isso não existe, mas mais
consciente, mais forte e, sempre que possível, com sentido de humor.

Porque, sejamos honestas… sem um pouco de humor e uma dose de loucura, ninguém sobrevive a esta correria. Tenho cá em casa a tal miúda de 10 anos, linda e maravilhosa, que observa tudo. Mesmo tudo. Aquela plateia permanente que não perde um episódio desta série chamada “a vida da mãe”. E é curioso perceber que, mais do que aquilo que dizemos, são mesmo as pequenas atitudes que ficam. A forma
como lidamos com os desafios, como falamos connosco próprias, como nos levantamos quando algo não corre como planeado. De repente percebo: ok, afinal isto não é só sobre mim!

Sabem que mais? A verdade é que nem sei muito bem o que vem aí nos próximos meses, mas sinto, cá dentro, que vem coisa boa. Daquelas que nos tiram um bocadinho da zona de conforto, que nos fazem crescer e pensar “ok, afinal eu consigo”. Tenho a sensação de que me vou desafiar ainda mais, que vou dizer mais “sim” a coisas que antes me assustariam. E curiosamente, em vez de medo, sinto entusiasmo.
Aquela confiança tranquila de quem pensa: venha o que vier, vai correr bem. Porque quando estamos alinhadas connosco próprias, o resto acaba sempre por encontrar o seu caminho.
Adeus março, venha abril… com boas aventuras!

Ah, e já agora… by the way… se bem se lembram, comecei o ano a investir seriamente nas minhas sessões de fisioterapia pélvica. E deixem-me que vos diga: grande decisão! Está a correr super bem.
Miúdas, levem isto como um pequeno lembrete amigável (e ligeiramente insistente): tratem do vosso pavimento pélvico! Fortalecer aquilo faz mesmo diferença: a famosa pinguinha de xixi marota que aparece quando menos esperamos… já anda muito mais comportada.

Portanto, fica a dica: 20, 30, 40 ou mais anos… exames em dia, corpo cuidado e zero vergonha de falar destes temas. Porque cuidar da saúde também passa por estas coisas que toda a gente sente, mas que pouca gente comenta.

Artigo por Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream