Era uma manhã como tantas outras. O Francisco, um jovem pai de 31 anos, seguia para o trabalho depois de deixar os filhos na escola. Em poucos segundos, tudo mudou. Um acidente grave na estrada deixou-o com múltiplos ferimentos e uma hemorragia severa. Quando chegou ao hospital, a equipa médica sabia que cada minuto contava. As lesões eram graves, mas havia uma hipótese de o salvar: precisava urgentemente de várias unidades de sangue.
Naquele momento, a diferença entre a vida e a morte não dependia apenas da competência dos médicos, da tecnologia do hospital ou dos medicamentos disponíveis. Dependia de algo muito mais simples: da existência de sangue disponível…
Felizmente, neste caso, havia sangue disponível, mas a realidade é que todos os dias existem pessoas em situações semelhantes e nem sempre há sangue nos hospitais!
O sangue é um recurso único. Não pode ser fabricado numa fábrica, produzido em laboratório ou substituído por qualquer tecnologia. A única forma de garantir que existe sangue disponível para quem precisa é através da dádiva voluntária de pessoas saudáveis.
É precisamente por isso que a doação de sangue é um dos maiores atos de solidariedade que uma pessoa pode praticar.
Em poucos minutos, sem custos e sem conhecer quem irá beneficiar, qualquer pessoa pode contribuir para salvar vidas. Uma única dádiva pode ajudar várias pessoas, porque os diferentes componentes do sangue são utilizados em tratamentos distintos.
Lembre-se que hoje foi um Francisco, mas amanhã pode ser qualquer um de nós!
Por isso, neste Dia do Dador de Sangue, o convite é simples: pense nos outros. Pense na pessoa que sofreu um acidente inesperado. Pense na criança que luta contra uma doença. Pense na família que espera ansiosamente por uma boa notícia. E lembre-se de que, para muitos deles, a diferença entre a esperança e o desespero pode estar numa decisão tomada por alguém como nós.
Doar sangue demora poucos minutos. Mas para quem o recebe, pode representar anos de vida, novos momentos com a família, novas oportunidades e novos sonhos.
Porque, às vezes, salvar uma vida não exige heroísmo. Exige apenas generosidade.
E essa generosidade está ao alcance de todos nós.
Artigo Por António Hipólito de Aguiar
Médico (OM 74362)
Presidente da “Médicos do Mundo”
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