Junho chega sempre a fingir que é verão quando ainda não é bem. Há qualquer coisa de impostor no mês de junho, com os seus dias compridos que prometem tudo e as suas noites que ainda arrefecem o suficiente para te lembrarem que não, ainda não chegaste lá. É o mês do talvez. Do quase. De uma leveza que ainda não está completamente autorizada mas que já ninguém consegue travar.
Eu gosto muito de junho por causa disso.
Há uma luz específica de junho que não existe em mais nenhum mês do ano. É uma luz que dura até às nove da noite e que faz com que tudo pareça ter mais tempo do que tem. Sais do trabalho e ainda há sol, criando uma sensação de que o dia ainda é teu, que ainda podes fazer algo com ele, mesmo que no final acabes no sofá a fazer exatamente o mesmo que fazias em dezembro, mas com a janela aberta. A janela aberta muda tudo.
Junho é também o mês em que as pessoas ficam mais bonitas. Não por nenhuma razão cosmética em particular, mas porque andam mais na rua, mais devagar, com menos casacos. Há qualquer coisa que se solta em junho. Uma tensão que foi acumulando desde outubro e que finalmente começa a dissipar-se. As pessoas sentam-se nas esplanadas como se tivessem tempo, mesmo quando não têm. É o único mês em que isso parece possível.
Cresci a achar que junho era o mês da liberdade porque era o mês em que acabavam as aulas. E essa memória ficou colada ao mês de uma forma que a idade adulta nunca conseguiu apagar de todo. Há ainda, cá dentro, qualquer coisa que reconhece junho como início de qualquer coisa. Uma pausa. Uma respiração funda. Como se o calendário tivesse memória e soubesse que aqui se para um bocadinho.
Claro que junho tem também os seus defeitos. Tem o Santo António, que divide Lisboa entre quem adora e quem foge para fora da cidade com a urgência de quem escapa a uma catástrofe natural. Tem o calor que aparece de repente um dia e no dia seguinte desaparece, deixando-te com o casaco errado em qualquer uma das situações. Tem as festas e os festivais e os planos que se acumulam porque toda a gente decide que junho é o mês ideal para fazer tudo o que não fez durante o ano.
Mas tem também as tardes que se esticam, as primeiras cerejas, o cheiro a eucalipto quando há brisa, as conversas que acontecem em cima de muretes e escadas porque estava calor demais para ficar dentro de casa. Tem aquela sensação de que a vida está a acontecer mesmo ali, do lado de fora, e que basta abrir a porta para entrar nela.
Este ano, o meu junho vai ser especial. Data uma mudança, um fim de ciclo, há muito esperado. E só por isso, já é o meu favorito. Que seja um mês cheio de glitter, para todos!
#GlitterUpYour