Metamorfose – Episódio 12 : O impacto das decisões dos outros na nossa vida

Há uma coisa que me faz mesmo confusão.

Como é que decisões que não são nossas conseguem ter tanto impacto na nossa vida?

Decisões de pessoas próximas, de colegas de trabalho, de chefes… às vezes até de pessoas que nem conhecemos assim tão bem. Pessoas que simplesmente se cruzaram connosco em algum momento e, de repente, mudam completamente o rumo de um dia, de uma semana, ou até de uma fase inteira da nossa vida.

E nós? Temos que lidar com isso.

Sem grande escolha.

Porque a verdade é esta: há muita coisa que foge completamente ao nosso controlo. Muito mais do que aquilo que nós gostaríamos de admitir.

E quando esse impacto é positivo, está tudo bem. Aceitamos, agradecemos, seguimos. Nem questionamos muito.

Mas e quando não é?

Quando uma decisão de outra pessoa nos prejudica, nos desorganiza, nos atrasa, nos afeta emocionalmente?

É suposto reagirmos como?

Aceitamos só porque “não depende de nós”?
Ou é legítimo ficarmos chateados?

Eu acho que é aqui que começa o conflito.

Porque, por um lado, sabemos racionalmente que não controlamos tudo. Sabemos que cada pessoa toma decisões com base na sua própria vida, nas suas prioridades, nos seus interesses.

Mas, por outro lado… nós sentimos.

E às vezes sentimos frustração. Injustiça. Irritação.

E eu não acho que isso esteja errado.

Acho que é perfeitamente aceitável ficarmos chateados quando algo nos impacta negativamente, mesmo que não tenha sido feito com essa intenção.

O problema não está no sentir. Está no que fazemos com isso.

Porque se ficamos presos a essa irritação, se começamos a viver constantemente em função das decisões dos outros, então perdemos completamente o controlo daquilo que é nosso.

E talvez a questão não seja evitar o impacto, porque isso é impossível.

Talvez a questão seja perceber até que ponto é que deixamos esse impacto tomar conta de nós.

Nem tudo depende de nós. Mas a forma como reagimos… isso já depende.

E isto não é fácil. Principalmente para quem, como eu, gosta de ter tudo minimamente organizado, pensado, controlado.

Porque quando alguém decide algo que interfere diretamente com a nossa vida, parece quase uma invasão.

Mas a verdade é que viver em sociedade é isto mesmo: cruzarmo-nos constantemente com decisões que não são nossas.

E talvez o verdadeiro desafio esteja aqui, não em evitar isso, mas em aprender a lidar com isso sem perder a nossa estabilidade.

Sem perder a nossa paz.

Porque no meio de tanta coisa que não controlamos… temos mesmo que agarrar aquilo que ainda é nosso.

Artigo por Carolina Silva
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