Quando estás grávida, toda a gente tem conselhos para te dar. Toda. A. Gente. Desde desconhecidas no supermercado até pessoas que claramente criaram filhos numa realidade paralela onde os bebés dormiam oito horas seguidas e comiam sopa biológica sem resistência emocional.
Recebes dicas sobre amamentação, cólicas, sono, fraldas, rotina, introdução alimentar e, inevitavelmente, alguém te diz para “aproveitares porque passa rápido”, precisamente no momento em que não dormes há 42 horas e estás emocionalmente destruída porque o bebé chorou durante meia hora sem motivo aparente.
Alguns conselhos retemos, outros desvalorizamos. O conselho mais importante que recebi quando fui mãe não veio da minha mãe. Nem da minha avó. Nem da minha irmã. Veio de alguém que eu mal conhecia. (Obrigada, Rita).
Tinha tido um bebé pouco tempo antes de mim e, uma semana depois do meu filho nascer, disse-me uma frase muito simples: “No pós-parto, o amanhã é sempre melhor e mais fácil do que o hoje.”
Lembro-me perfeitamente do momento em que ouvi aquilo. Porque precisava desesperadamente que alguém me dissesse exatamente isso.
Precisava que alguém me garantisse que aquele estado meio caótico, meio hormonal, meio sobrevivência não ia durar para sempre. Que eu não me ia sentir eternamente cansada, perdida e esmagada pela intensidade absurda do pós-parto. Porque ninguém te prepara realmente para essa parte.
Falam-te do parto durante meses. Explicam contrações, mala da maternidade, tipos de carrinho e até playlists para a sala de partos. Mas o pós-parto continua a ser aquela fase sobre a qual toda a gente fala baixinho, como se admitir o quão difícil pode ser ainda viesse acompanhado de culpa.
E foi por isso que aquela frase ficou comigo. “Amanhã vai ser um bocadinho mais fácil”.
Não porque magicamente tudo melhora de um dia para o outro. Não melhora. Mas porque, aos poucos, vais percebendo coisas. O bebé cresce. Tu adaptas-te. O corpo recupera. O medo abranda ligeiramente. Começas a sobreviver melhor às noites. A confiar mais em ti. E principalmente: percebes que aquele estado inicial não é permanente.
Agarrei-me àquela ideia com unhas e dentes durante semanas. Houve dias em que era literalmente a única coisa que me ajudava a atravessar o cansaço e a sensação de estar completamente fora de mim própria. E nunca mais me esqueci.
Hoje, sempre que uma amiga minha está grávida ou acaba de ter um bebé, acabo inevitavelmente por repetir a mesma frase. Porque às vezes não precisamos de grandes discursos sobre maternidade perfeita ou ligações mágicas instantâneas. Precisamos só que alguém nos diga que vai ficar mais leve.
Que amanhã, muito provavelmente, já vai ser um bocadinho mais fácil do que hoje.
#GlitterUpYourLife