Esta noite é dia de jogo. Portugal joga contra a Colombia às 00:30h, o que te dá o motivo certo para um jantar de amigos que termina com 90 minutos de sofá a ver a bola. Porém, em qualquer grupo e amigos há os que realmente veem o jogo e os que vivem futebol como se tivessem sido chamadas pelo selecionador na noite anterior. Resta saber que tipo de pessoa és tu durante um jogo da Seleção.
Num jogo de Portugal, especialmente em pleno Mundial, ninguém é apenas espetador. Toda a gente assume uma personagem. Mesmo quem jurava que só ia “ver um bocadinho” acaba, vinte minutos depois, a gritar para a televisão como se o treinador estivesse à espera de instruções vindas do sofá. Vamos por partes.
Há o treinador de bancada, claro. Aquele que sabe sempre quem devia ter entrado, quem já devia ter saído e qual era o sistema tático ideal, mesmo que a última vez que tenha corrido tenha sido para apanhar o metro. Passa o jogo inteiro a dizer “eu tinha feito diferente” e acredita genuinamente que Portugal ganhava mais facilmente se alguém lhe desse um auricular direto para o banco.
Depois temos o adepto supersticioso. Se Portugal marcou quando estava sentado no canto esquerdo do sofá, ninguém mais se senta ali. Se o golo aconteceu enquanto segurava um copo na mão direita, esse copo vai ficar naquela mão até ao apito final. Pode parecer exagero, mas para esta pessoa é ciência.
Há também quem só apareça pelos petiscos e pelos copos. Não sabe bem contra quem Portugal joga, pergunta várias vezes quem está a ganhar e só se manifesta quando alguém abre mais uma ccerveja. É provavelmente a pessoa mais feliz da sala, porque não sofre com o resultado e ainda janta bem.
O emocional é outro clássico. Canta o hino com os olhos brilhantes, arrepia-se com a entrada em campo e está sempre a dois segundos de dizer “isto é muito bonito”. Se Portugal ganha, chora. Se Portugal perde, também. Se há penáltis, precisa de apoio psicológico imediato.
Depois existe o crítico das redes sociais. Está a ver o jogo, mas também está no X, no Instagram, nos grupos de WhatsApp e possivelmente a enviar memes antes de o lance terminar. Tem sempre a piada certa, a reação certa e uma capacidade impressionante de transformar sofrimento em conteúdo.
Não podemos esquecer o adepto casual. Aquele que só vê jogos da Seleção, mas nesse dia veste-se a rigor, pergunta o que é fora de jogo e celebra cada canto como se fosse meio golo. Não sabe tudo, mas compensa com entusiasmo.
E, finalmente, há o pessimista preventivo. Ainda o jogo não começou e já disse “isto hoje vai correr mal”. Se Portugal ganha, diz que teve medo até ao fim. Se Portugal perde, passa a noite a repetir “eu avisei”. Ninguém o convidou para trazer más energias, mas ele veio na mesma.
A verdade é que todos temos um bocadinho de cada um. Durante 90 minutos, deixamos de ser pessoas normais e passamos a ser comentadores, analistas, supersticiosos, patriotas, humoristas e especialistas em substituições.
E isso é o que torna os jogos da Seleção tão especiais. Não é só futebol. É família reunida, amigos no sofá, vizinhos a gritar ao mesmo tempo, mensagens no WhatsApp e aquele nervoso miudinho que só aparece quando Portugal entra em campo.
Agora diz lá: qual destes és tu?
#GlitterUpYourLife