A cena é cada vez mais comum em casas portuguesas: uma criança do 1.º ciclo chega da escola com um telemóvel de teclas na mochila. Não tem TikTok, não tem Instagram, não tem jogos. Mas consegue ligar à mãe, ao pai ou à avó. E isso, dizem muitos encarregados de educação, chega e sobra.
Estamos a assistir a um movimento silencioso mas crescente — o regresso aos dispositivos simples, ou como se chamam em inglês, os dumb phones. A tendência surge como resposta directa à saturação de ecrãs e à preocupação com o impacto das redes sociais e dos algoritmos na saúde mental dos mais novos. E, em Portugal, ganhou um impulso legal considerável.
A lei que mudou tudo
Em julho de 2025, o Governo português aprovaram em Conselho de Ministros a proibição dos smartphones nas escolas para os alunos do 1.º e 2.º ciclos — uma medida que entrou em vigor no ano letivo de 2025/2026. Mas a lei não proibiu tudo.
Esta excepção criou, de facto, uma nova categoria de produto desejável: o telemóvel que só telefona. As lojas de tecnologia reportaram um aumento na procura por modelos básicos de teclas. Muitos pais, que até então sentiam pressão social para equipar os filhos com o último smartphone, sentiram finalmente “autorização” para escolher o contrário.
Do fixo às paredes ao fixo no bolso
Mas a tendência não se fica pelos telemóveis de teclas. Uma onda ainda mais retro está a ganhar fãs: o regresso ao telefone fixo em casa, especialmente com um produto que tem dado que falar nos Estados Unidos e começa a despertar interesse na Europa — o Tin Can.

Inspirado no design clássico dos anos 70 e 80, com o fio encaracolado e tudo, o Tin Can não tem ecrã nem aplicações. Liga-se ao Wi-Fi de casa e permite que uma criança fale apenas com os números aprovados pelos pais. É colorido, simples e deliberadamente “chato” — no melhor sentido da palavra.
A ideia por detrás destes produtos é a mesma: dar às crianças a capacidade de comunicar sem lhes dar acesso ao universo paralelo do scroll infinito. Comunicar, não consumir.
Os pais falam
Para muitas famílias, a escolha do dumb phone não é regressiva, é uma decisão ativa e informada. Não se trata de demonizar a tecnologia, sublinham especialistas. Trata-se de adequar o dispositivo à idade e à maturidade da criança. Um telemóvel de teclas para um miúdo de 8 anos não é uma punição, é uma proteção.
O que escolher?
Se estás a pensar nesta opção para os teus filhos, há algumas alternativas no mercado português. Os modelos Nokia básicos (como o 3310 ou o 105) continuam disponíveis e são robustos. A marca Maxcom tem apostado em telemóveis simples acessíveis. E para os mais pequeninos em casa, o Tin Can pode ser a solução ideal, um fixo moderno que parece saído de uma série dos anos 80 mas funciona com Wi-Fi.
O que estas opções têm em comum? Ausência de redes sociais, ausência de browsers, ausência de algoritmos concebidos para viciar. E presença do essencial: a voz das pessoas que amamos.
Às vezes, menos é mesmo mais. E em 2026, isso pode ser a decisão parental mais glam que podes fazer.
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