Artigo Por Cláudia Silvestre, Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional na Clínica Médis
A menopausa é uma fase inevitável na vida de todas as mulheres, marcada pelo fim do ciclo reprodutivo e por profundas mudanças hormonais e físicas. É um processo natural, sabemos, mas muitas mulheres enfrentam desafios significativos, como afrontamentos, alterações do humor, perda de massa óssea, disfunções do pavimento pélvico e impacto na saúde sexual.
À primeira vista, a menopausa pode ser vista como um período de declínio, mas temos o dever de travar esta perceção. Deve inclusive ser encarada como uma oportunidade para investir na saúde e no bem-estar. A fisioterapia, ao integrar cuidados físicos, educacionais e comportamentais, promove o conceito de envelhecimento ativo – uma abordagem que incentiva as mulheres a adotarem um estilo de vida saudável e funcional, favorecendo a autonomia e a longevidade.
Quando falamos em prevenção e tratamento das disfunções do pavimento pélvico – que se tornam mais prevalentes na menopausa devido à queda dos níveis de estrogénio -, condições como incontinência urinária, prolapsos e disfunções sexuais podem ser tratadas com técnicas específicas, como os exercícios de Kegel, que fortalecem a musculatura pélvica, e o biofeedback, que ajuda as mulheres a tomarem consciência da contração muscular. A par destes métodos, as técnicas de relaxamento e a massagem perineal são eficazes para tratar casos de hipertonia muscular, que podem causar dor e dificuldades na vida sexual.
Essas intervenções não só aliviam os sintomas, mas também devolvem às mulheres a confiança e o controlo sobre o próprio corpo. Por se tratar de um período com implicações em várias frentes – física, hormonal e psicológica -, a saúde mental também é beneficiada pela fisioterapia, através do alívio de sintomas como ansiedade, insónia e alterações de humor.
Se queremos devolver às mulheres o bem-estar emocional e físico nesta que é uma fase de grandes desafios, devemos encarar o tratamento da menopausa como uma abordagem integrada, através de escolhas informadas e que se complementam entre si.
A conscientização para este tema está a ganhar cada vez mais espaço, mas, embora os avanços na discussão sobre a menopausa sejam notáveis, ainda há um longo caminho a percorrer para superar tabus e garantir o acesso equitativo a tratamentos e informações. Neste sentido, nunca é demais apelar ao aconselhamento especializado – a única forma de filtrar o excesso de informação e tomar as decisões mais adequadas para cada mulher.
Mais do que tratar sintomas, a fisioterapia é uma ferramenta que promove o autoconhecimento e a autonomia e que ajuda as mulheres a redescobrirem o equilíbrio entre corpo e mente. É tempo de refletir sobre como cuidamos das mulheres nesta etapa e de garantir que cada uma tenha acesso aos recursos necessários para viver esta fase com confiança, bem-estar e plenitude.
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