Ana Arrebentinha tem novo espetáculo, que estreia hoje. E nós, no Glitter Dream, aproveitamos o momento para conversar.
O título do espetáculo é “Muito faço eu!”. Sentiste que este espetáculo nasceu de um momento específico da tua vida ou foi mais uma acumulação de situações absurdas do dia a dia?
Este título nasceu num momento muito específico, num ano muito difícil. Com a partida da minha mãe, houve uma mudança bastante brusca na minha vida, que me levou a fazer terapia e kickboxing. Comecei a reparar na terapia que há coisas que só me acontecem a mim, como trocar o dia da terapia online e aparecer no consultório, ou vice-versa. O facto de conviver com a vida adulta, neste caso sem ter referências, fez-me perceber que a vida adulta é tudo aquilo que não nos disseram. No fundo, foram momentos da minha vida marcados por uma acumulação excessiva de situações, prolongadas pela secretaria do universo, que parece ter sempre a minha ficha em cima da mesa.
Na sinopse diz que já perdeste qualquer esperança de parecer normal. Em palco, sentes que o humor também serve como forma de rires de ti própria antes que os outros o façam?
Sim, exatamente isso. O melhor é lidar com humor. A vida acontece: há coisas que conseguimos controlar e outras que estão fora do nosso controlo. Então, porque não rir daquilo que me apoquenta? Andamos a viver tempos em que tudo tem de ser perfeito, e não é assim. A diferença é a nossa marca e é o que nos distingue dos outros. Então decidi assumir a minha hiperatividade, as minhas ansiedades e principalmente, a minha loucura para suportar tudo isto.
Muitas das tuas histórias parecem vir de situações muito reais e quotidianas. Até que ponto a Ana Arrebentinha em palco é diferente da Ana no dia a dia?
A Ana que está no palco, é tudo menos tímida: é destravada e sem medo de nada. A adrenalina do momento torna-a viciada em fazer rir, em ouvir os risos e continuar, sem medos e, principalmente, sem ansiedade. A Ana na vida real, por incrível que pareça, é um pouco mais sossegada, mais ponderada. De resto, sou igual.
O espetáculo fala de decisões tomadas às três da manhã e de amizades feitas em casas de banho de discoteca. O caos da vida moderna tornou-se uma das grandes fontes de humor?
Completamente. Eu dei por mim em fases menos boas emocionalmente em que, se alguém me desse dois dedos de conversa, eu contava a minha vida, dava o meu número de telemóvel, marcava jantares… No dia a seguir passava o dia a bloquear essas pessoas e a pensar: “Porque é que eu falei da minha vida?”, com algum humor, claro.
Esse caos faz-nos conhecer incansavelmente pessoas, sítios, lugares e vidas diferentes, sem nos conhecermos a nós próprios primeiro (esta última frase ficou bonita, foi na terapia que aprendi, custou-me 65 euros).
Se tivesse de escolher uma decisão completamente absurda que tomou às três da manhã e que poderia perfeitamente entrar neste espetáculo, qual seria?
O que todos e todas fazemos: mandar mensagens ao nosso ex ou a pessoas que andamos a conhecer. Mensagens às Três da manhã nunca resultam.
O que espera que o público leve consigo depois de assistir a “Muito faço eu!”: identificação, escapismo ou simplesmente uma boa gargalhada?
Principalmente que percebam que a vida não é perfeita e que lidarmos com a parte triste da nossa vida é sempre menor do que a parte feliz. Quero que o público se ria, ria muito e que, se um dia, tal como eu, pensarem que estão sozinhos, percebam que não estão. Podem sempre ir a uma sala de espetáculo onde eu esteja e fazemos companhia uns aos outros.

#GlitterUpYourLife