Durante muito tempo, achei que estar sozinha era sinónimo de solidão.
Que significava falta, ausência, vazio. Que era algo a evitar, quase como se fosse um sinal de que alguma coisa não estava bem.
Mas a verdade é que, com o tempo, percebi que estar sozinha e sentir-me sozinha são coisas completamente diferentes.
Essa distinção, hoje, é clara para mim. Mas isso não significa que já tenha aprendido totalmente a estar sozinha, longe disso.
Crescemos com a ideia de que temos de estar sempre rodeados de pessoas, sempre ocupados, sempre acompanhados. A verdade é que, desde pequenos, somos habituados a uma companhia constante e, depois temos que aprender a viver sem ela.
O silêncio é desconfortável, a nossa própria companhia não é suficiente. E, durante muito tempo, eu também acreditei nisso.
A verdade é que gosto de estar sozinha. Gosto mesmo. Gosto de fazer as coisas ao meu ritmo, sem ter de me adaptar ao tempo ou à vontade de ninguém. Gosto de passar uma tarde inteira no sofá, entre séries e scroll infinito no Instagram. Gosto de passar horas a arrumar armários que já estão arrumados, só porque me dá uma certa paz mental. Gosto desses momentos em que estou só comigo e com os meus
pensamentos.
Mas, ao mesmo tempo, percebo que ainda não me sinto totalmente confortável nesse lugar.
Quando o dia acaba, quando chega a noite, muitas vezes sinto que me falta qualquer coisa. Não me sinto tão realizada como nos dias em que estive rodeada de pessoas, em que conversei, ri, partilhei. Como se, apesar de gostar da minha companhia, ainda precisasse muito da energia dos outros para me sentir completa. Posso passar o dia sozinha, mas sei que tenho alguém à minha espera quando chego a casa.
Ainda não aprendi totalmente a desfrutar do meu tempo fora de casa sozinha. Ainda não me sinto à vontade para ir jantar sozinha, para marcar uma reserva para uma pessoa, para viajar sem companhia. Admiro profundamente quem o faz. Quem tem essa leveza e essa segurança. Quem pega numa mala e vai, sem medo do silêncio, sem medo da própria companhia.
E sei que quando aí chegar vou ganhar uma nova forma de liberdade.
Mas ainda não cheguei aí.
Porque também faz parte do processo reconhecer onde estamos e não fingir que já ultrapassámos etapas que ainda estamos a aprender a viver.
Tenho curiosidade, sim. Pergunto-me muitas vezes como seria. Como me sentiria. O que descobriria sobre mim. Mas ainda não tive coragem.
E não, isto não significa afastar-me das pessoas ou deixar de valorizar quem está comigo. Pelo contrário. Sei que quando aprendemos a gostar da nossa própria companhia, começamos também a escolher melhor quem deixamos entrar nela.
Hoje sei que aprender a estar sozinha é uma das coisas mais importantes da vida adulta. É isso que nos ensina a não depender emocionalmente dos outros, a não aceitar menos só para não estar sós, a perceber que a nossa companhia tem valor.
Ainda não domino essa arte. Mas estou a aprendê-la, aos poucos.
E talvez a verdadeira metamorfose seja essa: perceber que não precisamos de estar “prontos”, só disponíveis para crescer.
Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife