Os 7 desprazeres da vida adulta

Passamos a infância inteira ansiosos por crescer, imaginando a vida adulta como um território de liberdade total, e depois chegamos cá e descobrimos que a liberdade vem acompanhada de uma lista interminável de pequenas frustrações que, sozinhas, não parecem grande coisa, mas que juntas formam uma espécie de via sacra do quotidiano. Reunimos sete delas, as que mais nos fazem suspirar fundo, na esperança de que saibam pelo menos que não estão sozinhos nesta luta.

O saco do lixo que decide pingar precisamente no momento errado

Há um segundo, sempre um segundo, em que percebemos que o saco vai pingar antes mesmo de ele começar a fazê-lo. E mesmo assim, lá vamos nós, na corrida contra o tempo e contra o rasto de líquido misterioso que vai ficar a marcar o caminho desde a nossa cozinha até ao contentor. É um dos momentos mais universais e mais silenciosamente traumáticos da vida adulta.

A roupa que nunca mais sai da rotação lavar, estender, dobrar, passar

Parece impossível, mas é verdade: por mais vezes que se lave roupa, o armário nunca chega a ficar completamente cheio outra vez. É um ciclo sem fim, uma espécie de Sísifo doméstico em que mal a última peça é dobrada, já há uma nova pilha a formar-se no cesto. E ainda há quem tenha a coragem de gostar de passar a ferro.

O esquecimento fatal de um prazo nas Finanças ou na Segurança Social

Existe um tipo de pânico muito específico que só quem já recebeu uma notificação tardia das Finanças ou da Segurança Social conhece verdadeiramente. Aquele momento em que percebemos que o prazo já passou, que havia um e-mail algures perdido na caixa de entrada, e que agora vem aí uma coima só porque a vida adulta decidiu que sermos responsáveis por burocracias é mais importante do que a nossa paz de espírito.

Abrir o frigorífico e o congelador e não encontrar absolutamente nada

Aquele momento em que a fome bate e vamos até à cozinha cheios de esperança, só para abrir a porta do frigorífico e encontrar um frasco de mostarda solitário e um limão a definhar. O congelador, por sua vez, não tem mais nada além de um saco de ervilhas de origem incerta e uns cubos de gelo. E ainda assim, ficamos ali, parados, a olhar, como se o milagre da comida fosse aparecer só de tanto olharmos.

O ponteiro do combustível a apontar teimosamente para a reserva

Não interessa quantas vezes já tenha acontecido, o alerta da reserva no carro consegue sempre apanhar-nos de surpresa, geralmente longe de qualquer bomba de gasolina e com pressa para chegar a algum lado. É como se o carro tivesse um sentido de humor próprio e escolhesse sempre a pior altura possível para nos lembrar da nossa mortalidade sobre rodas.

A pilha de loiça suja depois de uma refeição que demorou vinte minutos a fazer

Cozinhar pode ser um prazer, até ao momento em que olhamos para trás e vemos o resultado, uma torre instável de panelas, tábuas e talheres que parece ter-se multiplicado sozinha enquanto cozinhávamos. É a prova irrefutável de que na vida adulta nada é de graça, nem sequer um jantar rápido.

O domingo à tarde que se esfuma antes de darmos por isso

Há qualquer coisa de cruelmente injusto na forma como as manhãs de domingo parecem durar uma eternidade e as tardes desaparecem num piscar de olhos, deixando-nos já a pensar na lista de tarefas de segunda-feira antes sequer de o sol se pôr. É o desprazer mais silencioso desta lista, mas talvez o mais consistente de todos.

No fim, percebemos que talvez o verdadeiro sinal de que já somos adultos não seja pagar contas ou ter uma agenda cheia, seja mesmo reconhecer-se nestas sete frustrações e conseguir rir-se delas em vez de as levar demasiado a sério. Afinal, se ninguém nos avisou, o mínimo que podemos fazer é avisar-nos uns aos outros.

#GlitterUpYourLife