Quando alguém que amamos perde alguém, a primeira coisa que sentimos é o impulso de fazer a dor ir embora. De dizer a coisa certa, de encontrar as palavras que ajudam, de resolver de alguma forma o que não tem solução. E é exatamente esse impulso que nos leva, muitas vezes, a dizer as coisas erradas. Não por má vontade. Por desconforto com o luto alheio, que nos lembra da nossa própria vulnerabilidade, e pela pressão de parecer útil numa situação em que a utilidade tem limites reais.
O que evitar dizer
“Ele está num lugar melhor.” Independentemente das crenças de quem está em luto, esta frase minimiza a perda. O lugar melhor para quem ficou era aqui, com ela.
“Sei exactamente como te sentes.” Não sabes. Mesmo que tenhas perdido alguém, o luto de cada pessoa é radicalmente diferente. Esta frase fecha a conversa em vez de a abrir.
“Tens de ser forte.” Para quê? Para quem? O luto não é fraqueza. Precisar de chorar e de desmoronar é uma parte necessária do processo, não um sinal de que algo está errado.
“O tempo cura tudo.” Pode ser verdade a longo prazo, mas dito no meio da dor aguda parece uma forma de apressar o luto para o tornar mais confortável para quem está de fora.
“Já passou tanto tempo, tens de seguir em frente.” O luto não tem prazo. Pedir a alguém que siga em frente segundo o calendário dos outros é uma das coisas mais limitantes que se pode fazer.
“Pelo menos…” Qualquer frase que comece com pelo menos é uma tentativa de encontrar o lado positivo onde não há lado positivo. Pelo menos foi rápido. Pelo menos tiveram muito tempo juntos. Pelo menos não sofreu. Nenhum pelo menos alivia a perda de uma pessoa específica e insubstituível.
O que dizer
“Estou aqui.” Simples, direto, verdadeiro. Não resolve nada e é exactamente o que é preciso ouvir.
“Não tens de dizer nada, podes só chorar.” Dar permissão para o silêncio e para o choro sem que seja necessário explicar ou justificar é um presente enorme.
“Quero muito ouvir falar dele/dela, se quiseres contar.” As pessoas em luto muitas vezes sentem que os outros ficam desconfortáveis quando falam da pessoa que perderam, como se o nome não devesse ser dito. Perguntar ativamente é um ato de amor.
“O que precisas agora?” Em vez de decidir o que é que a outra pessoa precisa, perguntar. E depois respeitar a resposta, mesmo que seja “de nada”.
O que fazer quando as palavras não chegam
Às vezes a coisa mais honesta é admitir que não sabes o que dizer. “Não sei o que dizer mas não me quero ir embora” é uma das frases mais gentis que existem. Reconhece o limite das palavras sem as usar para preencher um espaço que não é para preencher.
Aparecer sem avisar com comida, oferecer-se para tratar de assuntos práticos, enviar uma mensagem semanas depois quando toda a gente já se esqueceu, lembrar o aniversário da perda: estas são as formas de apoio que ficam na memória muito depois das flores murcharem.
O luto não precisa de ser consertado. Precisa de ser acompanhado. E isso é uma coisa que qualquer pessoa é capaz de fazer, se estiver disposta a ficar mesmo quando é desconfortável.
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