A 26 de agosto assinala-se o Dia Internacional da Igualdade Feminina, uma data instituída pelo Congresso dos Estados Unidos em 1973, em homenagem à 19.ª Emenda da Constituição americana, aprovada em 1920, que garantiu às mulheres o direito ao voto. Mais de meio século depois, a data deixou de ser apenas uma efeméride sobre sufrágio e passa a servir também para medir a distância entre os direitos conquistados e a igualdade que ainda falta cumprir.
O que já conquistámos
Há progressos que merecem ser nomeados. Em Portugal, as mulheres representam hoje a maioria dos diplomados no ensino superior, e a presença feminina nos espaços de decisão tem vindo a crescer de forma consistente. Nas empresas cotadas em bolsa, a percentagem de mulheres com assento nos conselhos de administração subiu de 10%, em 2014, para cerca de 35%, no final de 2024. No Parlamento, as mulheres ocupam atualmente perto de um terço dos lugares, um valor que era de apenas 13% em 1997.
Estes números não caíram do céu. São o resultado direto de leis de paridade e de sistemas de quotas implementados sobretudo a partir de 2017, que forçaram empresas e partidos a abrir espaço onde, durante décadas, esse espaço simplesmente não existia.
O que ainda falta
Mas há uma distância clara entre estar presente e estar a decidir. Nas mesmas empresas cotadas, apenas cerca de 17% dos cargos executivos são ocupados por mulheres, o que significa que a maioria dos lugares em conselhos de administração continua a ser não executiva, mais consultiva do que decisória. A liderança de topo, a que assina as decisões estratégicas, permanece maioritariamente masculina.
O fosso salarial também persiste. Em Portugal, as mulheres ganham, em média, cerca de 12,5% menos do que os homens por hora trabalhada. Quando se olha para o rendimento anual, e não apenas para o valor à hora, essa diferença sobe para cerca de 18%, em grande parte porque são as mulheres quem mais recorre a trabalho a tempo parcial e quem enfrenta mais travões na progressão de carreira, muitas vezes por causa da maternidade e da divisão desigual do trabalho de cuidado em casa.
Celebrar sem deixar de exigir
Este é, para nós, o equilíbrio mais honesto para esta data: celebrar cada percentagem que subiu, sem fingir que o trabalho está feito. A igualdade formal, escrita na lei, já existe há décadas. A igualdade real, a que se sente no salário ao final do mês ou na cadeira à cabeceira da mesa de decisões, continua a ser construída, passo a passo, quota a quota, lei a lei.
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