O olho seco (ou síndrome do olho seco) é uma condição comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se pela produção insuficiente de lágrimas ou pela evaporação excessiva destas, levando a uma superfície ocular mal lubrificada. De acordo com as guidelines da American Academy of Ophthalmology (AAO), trata-se de uma doença multifatorial da superfície ocular que pode causar desconforto significativo e afetar a qualidade de vida, especialmente em quem passa muitas horas em frente ao computador ou expõe os olhos a condições ambientais adversas, como na praia.
Sintomas comuns
- Sensação de ardor, picada ou areia nos olhos
- Vermelhidão e irritação
- Visão turva ou intermitente
- Sensibilidade à luz (fotofobia)
- Dificuldade em usar lentes de contacto
- Sensação de olhos pesados ou cansados
Estes sintomas tendem a agravar-se ao longo do dia, com o uso prolongado de ecrãs ou em ambientes secos e ventosos.
Causas e fatores de risco
O uso intensivo de computadores reduz a frequência de piscar (de cerca de 15-20 vezes por minuto para apenas 5-7), o que acelera a evaporação das lágrimas. Na praia, o vento, o sol intenso, a areia (pó) e o ar salgado contribuem para uma maior irritação e secura.
Outros fatores incluem: ar condicionado, aquecimento, fumo, medicamentos (como anti-histamínicos), idade avançada, alterações hormonais e doenças autoimunes (ex.: Síndrome de Sjögren).
Dicas para quem trabalha no computador
- Regra 20-20-20: A cada 20 minutos, olhe para um objeto a pelo menos 20 pés (6 metros) de distância durante 20 segundos. Isso ajuda a relaxar os olhos e a promover o piscar natural.
- Pisque conscientemente: Tente piscar mais vezes enquanto está concentrado no ecrã.
- Posicione o ecrã corretamente: Coloque o monitor ligeiramente abaixo do nível dos olhos e a cerca de 50-70 cm de distância. Evite o ar condicionado diretamente sobre o rosto.
- Utilize lágrimas artificiais: Opte por colírios lubrificantes sem conservantes (disponíveis na farmácia). Use-os várias vezes ao dia, conforme recomendado pela AAO. Para uso noturno, pomadas oftálmicas podem ser úteis.
- Humidifique o ambiente: Use um humidificador no escritório.
- Faça pausas regulares: Levante-se, caminhe e descanse os olhos.
Dicas específicas para a praia
- Proteja os olhos: Use óculos de sol com proteção UV 100% e laterais amplas para bloquear vento e areia.
- Use chapéu de abas largas: Reduz a exposição direta ao sol.
- Evite o vento direto: Procure zonas mais abrigadas ou use óculos mesmo em dias nublados.
- Hidrate-se: Beba água regularmente – a desidratação afeta também a produção de lágrimas.
- Utilize colírios lubrificantes: Aplique antes, durante e após a exposição à praia.
- Evite esfregar os olhos: Isso pode piorar a irritação.
Tratamentos recomendados pela AAO
A AAO recomenda um abordagem escalonada (stepwise):
- Medidas iniciais (níveis leves): Modificação ambiental, lágrimas artificiais, higiene das pálpebras com compressas quentes e limpeza suave das margens palpebrais.
- Tratamentos adicionais: Colírios anti-inflamatórios, suplementos de ómega-3, plugs lacrimais (para conservar as lágrimas) ou tratamentos em consulta (ex.: expressão das glândulas de Meibomius).
- Casos mais graves: Podem necessitar de tratamentos mais avançados sob orientação médica.
A maioria dos casos melhora com medidas simples e consistentes, mas o tratamento costuma ser a longo prazo.
Quando consultar um oftalmologista?
Procure ajuda especializada se os sintomas persistirem apesar das medidas caseiras, se houver dor intensa, alteração da visão ou suspeita de infeção. Um exame completo permite identificar a causa subjacente e personalizar o tratamento.
Os olhos secos não têm de limitar o seu dia a dia. Com pequenas alterações de hábitos e o uso adequado de lubrificantes, é possível manter os olhos confortáveis tanto no trabalho como nos momentos de lazer na praia.
Lembre-se: estas são recomendações gerais baseadas nas orientações da Academia Americana de Oftalmologia. Cada caso é único, consulte o seu oftalmologista para aconselhamento personalizado.
Artigo Por Por Dr. Ricardo Portugal, Oftalmologista
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