As Spice Girls perceberam tudo antes de nós: uma relação pode ser a dois, mas nunca acontece num vazio. Os amigos que estavam cá antes, que nos conhecem sem filtros e que ficam quando as histórias de amor acabam também fazem parte da equação.
Apaixonarmo-nos por alguém é maravilhoso. De repente, queremos passar todos os minutos com aquela pessoa, apresentar-lhe os nossos restaurantes, as nossas séries, as nossas manias e, inevitavelmente, os nossos amigos. E esse encontro importa mais do que gostamos de admitir.
Não significa que o namorado tenha de se tornar imediatamente melhor amigo do nosso grupo, aparecer em todos os jantares ou começar a participar no chat onde são discutidos assuntos que definitivamente não lhe dizem respeito. Mas é difícil construir uma relação saudável com alguém que não respeita, não compreende ou simplesmente não suporta as pessoas que fazem parte da nossa vida.
Os amigos conheceram-nos antes desta versão apaixonada
São eles que se lembram de quem éramos antes daquele primeiro date. Conhecem os ex, as decisões questionáveis, as fases embaraçosas, as inseguranças e as versões menos editadas da nossa personalidade. E precisamente por isso conseguem, muitas vezes, ver uma relação com alguma distância.
Quando todos os nossos amigos adoram alguém, não é garantia de que encontrámos o amor da nossa vida. Mas quando as pessoas que mais nos conhecem começam, todas elas, a sentir desconforto em relação à mesma pessoa, talvez seja boa ideia ouvir antes de responder automaticamente: “Vocês não o conhecem como eu.” Às vezes conhecem-nos a nós suficientemente bem.
Ninguém precisa de ser bestie
Existe uma diferença enorme entre “os meus amigos não são as pessoas que ele escolheria para sair” e “ele não suporta que eu esteja com os meus amigos”. O primeiro é perfeitamente normal. Não temos de partilhar todos os gostos com a pessoa com quem estamos. Podemos amar alguém que nunca escolheria espontaneamente passar uma sexta-feira à noite com a nossa amiga que fala durante três horas sobre astrologia.
O segundo já merece atenção. Uma relação não deveria obrigar-nos a escolher constantemente entre o casal e as amizades. Muito menos fazer-nos sentir culpadas por manter planos, viagens, jantares e confidências que não incluem o parceiro. Estar apaixonado não deveria significar desaparecer.
Os melhores namorados percebem que os amigos são parte do pacote
Existe qualquer coisa especialmente bonita quando os diferentes mundos começam a encaixar. Quando ele sabe qual é a amiga a quem devemos ligar quando estamos tristes. Quando se lembra de perguntar como correu a entrevista de emprego daquele amigo. Quando aparece num aniversário mesmo sabendo que provavelmente não conhece metade das pessoas. Quando percebe as piadas internas ou aceita alegremente que nunca irá percebê-las. E o mesmo vale ao contrário. Dar espaço às amizades do outro é reconhecer que aquela pessoa tinha uma vida inteira antes de nós e que essa vida não precisa de ser apagada para a relação funcionar.
Porque a amizade também é uma história de amor
Passamos grande parte da vida a tratar o amor romântico como a relação principal e todas as outras como secundárias. Mas os amigos acompanham mudanças de emprego, separações, casamentos, filhos, crises, mudanças de cidade e domingos em que simplesmente precisamos de alguém para tomar café.
Algumas amizades duram mais do que muitas relações amorosas. Celebrá-las não diminui o espaço do casal. Pelo contrário: ter relações fortes fora do namoro pode retirar ao parceiro a pressão impossível de ser simultaneamente amante, melhor amigo, terapeuta, companhia para todas as atividades e única fonte de apoio emocional.
Por isso, o verdadeiro teste de compatibilidade provavelmente nem é uma viagem romântica nem conhecer os pais. É aquele primeiro jantar com os amigos. Consegue entrar na conversa sem monopolizá-la? Ri-se? Faz perguntas? Trata bem o empregado? Percebe quando estamos a contar aquela história pela 17.ª vez? Sobrevive ao interrogatório subtil da nossa melhor amiga?
Não precisamos que todos saiam dali a planear férias juntos. Basta que exista respeito, alguma curiosidade e espaço para que aqueles dois mundos possam coexistir. Porque o objetivo nunca foi encontrar alguém que substituísse os nossos amigos. É encontrar alguém que perceba porque é que eles são tão importantes. E, idealmente, alguém que um dia já esteja sentado à mesa antes de nós chegarmos.
#GlitterUpYourLife