O verão chega com uma expressão que aparece em todo o lado: operação bikini. Nas revistas, nas redes sociais, nas conversas de esplanada. Sempre com o mesmo subtexto: o teu corpo ainda não está pronto para o verão. Tens seis semanas.
É uma ideia tão enraizada que já quase não questionamos de onde vem nem o que implica. Implica que há um corpo certo para o verão. Que o biquíni tem de ser merecido. Que aparecer na praia é um privilégio condicionado ao número da balança ou ao desaparecimento de certas partes do corpo que, curiosamente, a maioria das pessoas tem. Não é verdade. Nunca foi.
O que a operação bikini realmente vende
A narrativa da operação bikini não nasceu de uma preocupação genuína com a saúde de ninguém. Nasceu de uma indústria que lucra com a insatisfação. Dietas, suplementos, programas de treino acelerado, cremes que prometem resultados em 21 dias. Tudo depende de uma crença central: que o teu corpo, tal como está agora, não chega.
E essa crença tem um custo real. Não em euros, em bem-estar. Estudos mostram consistentemente que a exposição a mensagens de perda de peso acelerada aumenta a insatisfação corporal, os pensamentos negativos sobre o próprio corpo e, em casos mais extremos, comportamentos alimentares desordenados. A operação bikini não prepara ninguém para o verão. Prepara as pessoas para chegarem ao verão a odiar o próprio corpo.
O que é body positivity e o que não é
Body positivity não é uma desculpa para ignorar a saúde. Não é uma mensagem de que nada importa ou de que todas as escolhas são iguais. É, na sua essência, a ideia de que todos os corpos merecem respeito e dignidade independentemente do tamanho, forma, capacidade ou aparência. E que a relação que tens com o teu corpo não deve ser definida pelo grau de conformidade com um padrão estético que muda de década em década.
É também o reconhecimento de que saúde e aparência não são a mesma coisa. Que uma pessoa magra não é necessariamente mais saudável do que uma pessoa gorda. Que o valor de um corpo não se mede pela sua visibilidade ou pela aprovação dos outros.
O verão que querias ter
Pensa no verão que realmente queres ter. Provavelmente não inclui passar junho em restrição calórica e agosto a evitar fotografias. Provavelmente inclui praias, mergulhos, esplanadas, tardes compridas, encontros com pessoas de quem gostas. Tudo isso é possível no corpo que tens agora.
O biquíni não precisa de ser merecido. Precisa de ser confortável e de te fazer sentir bem. Isso é tudo. Não há pré-requisitos físicos para ir à praia. Nunca houve.
Como fazer as pazes com o teu corpo neste verão
Começa por notar a linguagem que usas quando falas do teu próprio corpo, sozinha ou com outras pessoas. Quantas vezes por dia dizes algo sobre ele que não dirias a uma amiga? Quantas vezes o tratas como um problema a resolver em vez de um lugar onde habitas?
Muda o critério de avaliação. Em vez de perguntar como parece, pergunta como se sente. Como é que o teu corpo se sente quando come bem, quando dorme suficiente, quando se move de uma forma que gosta? Essa é a relação que vale a pena construir, não a que depende de um espelho ou de um número.
Segue contas que te fazem sentir bem. As redes sociais que consomes todos os dias moldam, de formas que não são sempre conscientes, o que consideras normal e desejável. Corpos diversos, representados sem filtros e sem apologias, fazem diferença.
E se tiveres uma filha, uma sobrinha, uma amiga mais nova a ouvir a conversa, pensa no que queres que ela aprenda sobre o verão e o corpo. Porque a forma como falamos sobre os nossos próprios corpos é a forma como elas vão aprender a falar sobre os delas.
O verão é agora
O corpo com que vais à praia este verão é o teu corpo. O único que tens, o único que alguma vez vais ter. Passou por tudo o que passaste. Carrega tudo o que és. Merece um verão, não uma operação.
#GlitterUpYourLife