Há um momento na vida de uma mulher em que ela percebe que já passou demasiado tempo a cuidar de toda a gente menos de si própria. No meu caso, esse momento chegou seis meses depois de ter sido mãe.
Depois de uma gravidez, amamentação e noites interrompidas ao ponto de já não saber distinguir entre segunda-feira e domingo, a minha pele estava a entrar em contacto com as autoridades competentes para apresentar uma queixa formal. Pedia hidratação. Pedia brilho. Pedia socorro.
As nossas rugas contam histórias, é certo, mas também há as que contam exatamente quantas vezes acordámos durante a noite para procurar uma chupeta. Foi neste estado físico, emocional e epidérmico que cheguei à Skinology, a nova clínica de medicina e cirurgia estética da Foz do Douro.
A consulta foi com a Dra. Inês Correia de Sá, fundadora da clínica e devo confessar que o simples facto de estar perante uma médica cirurgiã plástica me deixou imediatamente mais tranquila. É altamente reconfortante saber que a pessoa que vai mexer na tua cara conhece profundamente tudo aquilo que está por baixo dela.
A consulta começou com a pergunta clássica: — O que a traz por cá? A minha resposta foi igualmente clássica: — Tudo.
Tudo era uma resposta perfeitamente razoável. A cara, as olheiras, a falta de brilho e vitalidade. A sensação geral de que a maternidade me tinha dado muito amor mas também me tinha roubado algumas horas de sono e reconhecimento ao espelho. Felizmente, a Dra. Inês é adepta da mesma filosofia que eu: menos é mais. Aliás, acredito que já ultrapassámos aquela fase da medicina estética em que o objetivo era parecer outra pessoa. Hoje o objetivo é muito mais interessante: parecermos nós próprias, mas descansadas. Ou pelo menos com aspeto de quem descansou.
A clínica ajuda bastante a entrar nesse estado de espírito. É absolutamente linda, daqueles espaços em que apetece fotografar tudo e guardar no álbum que vamos consultar quando construirmos e decorarmos a nossa casa de sonho. Tons creme, terracota, materiais naturais, luz suave. Uma mistura entre um spa de luxo e uma casa onde eu viveria perfeitamente feliz durante os próximos anos. Acredito que esta atmosfera também me fez relaxar tanto durante o tratamento. Ou então foi a mão firme da Dra. Inês. Ou a conversa fluida. Ou o facto de estar finalmente a fazer uma coisa exclusivamente para mim. O que sei é que sobrevivi serenamente a mais de cinquenta picadinhas. Mas já lá vamos. Fui pelo rosto, mas levei um top relativamente revelador e as minhas maminhas rapidamente entraram na conversa. Sejamos honestas: depois da amamentação, praticamente todas as maminhas precisam de um pequeno toque de Midas. Não necessariamente para as transformar em ouro, ou talvez sim, já que o ouro tem a característica muito interessante de ser firme e permanecer exatamente onde o colocamos, mas já lá vamos, não já, agora, talvez daqui a uns tempos.



Voltando ao tópico inicial, a Dra. Inês recomendou-me fazer o clássico Holy Grail deste ar descansado que eu procurava e que resolveria facilmente as rugas que não me pertencem – a toxina botulínica – e um protocolo de revitalização com um complexo multivitamínico associado a ácido hialurónico não reticulado. Traduzido para português corrente: hidratação, luminosidade, vitalidade e uma pele com vontade de participar novamente na vida. Este protocolo consiste em três sessões, espaçadas de seis em seis semanas. E depois ouvi as palavras que mudaram tudo: “Também ajuda a melhorar a pigmentação das olheiras.” Música. Literalmente música para os meus ouvidos.
As minhas olheiras são o meu calcanhar de Aquiles. No passado corrigi a profundidade excessiva com ácido hialurónico e o resultado foi ótimo, mas a componente escura continuou sempre lá. Aquele tipo de olheira que faz com que as pessoas te perguntem regularmente: – Está tudo bem? – Pareces triste. – Aconteceu alguma coisa? Ao que tenho sempre de responder: Aconteceu. Ou melhor, não aconteceu: hoje não me maquilhei.
O momento do tratamento foi quase medidativo. Quase perigosamente perto de adormecer mas também profundamente esperançoso. Os tratamentos estéticos têm resultados, claro que têm. Mas o momento em si, o ritual, a pausa, o autocuidado, aquela hora em que alguém está a cuidar de nós enquanto nós não estamos a cuidar de ninguém. E isso, para uma recém-mãe, vale quase tanto como os resultados.
Hoje, e algumas semanas depois, já consigo dizer com toda a certeza: sinto-me muito melhor. Mais bonita. Mais luminosa. Mais parecida comigo. As rugas que não me pertencem abandonaram o group chat e preciso de menos maquilhagem para parecer acordada e de menos corretor para convencer o mundo de que durmo oito horas por noite. E isso sabe incrivelmente bem.
A maternidade é maravilhosa, mas também tem um talento especial para desmontar a torre de Jenga que passámos anos a construir. As prioridades mudam, o corpo muda, a rotina muda. Nós mudamos. E cuidar de nós próprias é precisamente isto: voltar a apanhar as peças uma a uma e reconstruir a torre.
Sem pressa, com carinho e respeito pelo tempo. E, se possível, com uma ajudinha da Dra. Inês pelo caminho.
PS: não vejo a hora de voltar. Fazer o quê? Não sei, talvez só beber um café no terraço terracota e sentir que aquele tempo é meu.
#TheGlitterDream