Se os triggers são situações que despertam stress, ansiedade ou desconforto, os glimmers fazem praticamente o contrário.
São aqueles pequenos momentos que nos fazem sentir bem, seguros, tranquilos ou ligados a alguma coisa. Um conceito simples, mas que talvez explique por que razão uma coisa aparentemente insignificante consegue mudar por completo a energia do nosso dia.
O termo foi introduzido pela psicoterapeuta Deb Dana e tem origem na Teoria Polivagal, desenvolvida por Stephen Porges.
Pode ser quando começa a tocar a tua música favorita com a playlist em aleatório. Quando o motorista do autocarro espera que acabes o sprint até à paragem. Quando recebes uma mensagem de alguém em quem estavas precisamente a pensar. Ou quando encontras dinheiro no bolso de um casaco que já não usavas desde o inverno passado.
É uma coisa mínima? Sim. Melhora o teu dia? Absolutamente.
Os glimmers não são acontecimentos extraordinários. Na verdade, quase nunca são. São pequenos sinais de conforto e conexão que aparecem no meio de uma rotina geralmente caótica.
Podem ser o primeiro gole de café pela manhã. Apanhar todos os semáforos verdes quando já estás atrasada. Uma criança sorrir para ti no supermercado. Encontrar um lugar de estacionamento mesmo à porta. Ou chegar à praia a tempo do pôr do sol.
Nenhuma destas coisas vai mudar radicalmente a tua vida, mas talvez nem tudo tenha de mudar a nossa vida para tornar o nosso dia um bocadinho melhor.
Vivemos numa era obcecada com grandes momentos. Grandes viagens, grandes conquistas, grandes mudanças e, claro, grandes fotografias para publicar depois. Parece que só vale a pena celebrar quando existe uma legenda suficientemente impactante para acompanhar.
Entretanto, as coisas pequenas vão acontecendo silenciosamente.
E nós, ocupadíssimos a responder a mensagens enquanto atravessamos a rua e a pensar no jantar enquanto ainda estamos a almoçar, quase nem reparamos.
E há algo curioso nos glimmers: quanto mais começamos a reparar neles, mais parecem aparecer. Não porque o universo decidiu finalmente recompensar-nos pelo nosso excelente comportamento, mas porque começamos a estar mais atentos.
É como quando compras um carro novo e, de repente, descobres que metade da cidade tem exatamente o mesmo modelo. Eles sempre estiveram lá. Tu é que agora reparas. Com os glimmers, acontece mais ou menos o mesmo.
Quando treinamos o olhar para reconhecer aquilo que nos traz conforto, começamos a encontrar esses momentos em lugares onde antes só víamos rotina.
Isto não significa ignorar os problemas ou fingir que tudo são arco-íris e unicórnios. Obviamente, um pôr do sol bonito não paga contas, mas admirá-lo dá-nos mais uns minutinhos de glitter diários.
No final, talvez a felicidade não seja uma coisa gigante que nos bate à porta e finalmente diz: “Cheguei!”. Talvez seja um conjunto de pequenos momentos que já estavam a acontecer e para os quais finalmente começámos a olhar.
Artigo por Inês Prata
#GlitterUpYourLife