Copenhaga é a Semana da Moda onde a passerelle começa na rua. Estes são os looks de street style que se destacaram.

Mais do que antecipar as tendências da próxima estação, a Copenhagen Fashion Week tornou-se o lugar onde se aprende a usá-las. Entre misturas improváveis, romantismo nórdico e acessórios com sentido de humor, o verdadeiro espetáculo acontece muitas vezes antes de começar o desfile.

Copenhaga detem a Semana da Moda que mais vive do street style. As fotografias à porta dos desfiles são quase tão aguardadas como as coleções e os convidados não surgem apenas vestidos para impressionar, mas para mostrar ideias que poderiam, com algumas adaptações, entrar num guarda-roupa real.

A Copenhagen Fashion Week celebra em 2026 o seu 20.º aniversário. A edição de primavera/verão 2027 decorre entre 3 e 7 de agosto, com 34 desfiles e apresentações de marcas nórdicas, nomes internacionais e novos talentos. A dimensão continua mais compacta do que a das grandes capitais da moda, mas a influência ultrapassou há muito as fronteiras escandinavas.

O estilo escandinavo já não é apenas minimalista

Durante anos, associámos a moda nórdica a tons neutros, linhas simples e peças funcionais. Tudo isso continua presente, mas nas ruas de Copenhaga o minimalismo ganhou cor, volume e uma boa dose de humor.

Uma das ideias que mais se tem visto nesta edição é o chamado opposition dressing, que as nossas portuguese girlies tão bem conhecem. Em vez de construir um look completamente coerente, misturam-se elementos pertencentes a universos opostos: roupa militar com acessórios luxuosos, peças utilitárias com vestidos delicados ou roupa desportiva com tecidos associados à noite.

A renda continua, mas perdeu a formalidade

Saias rendadas, vestidos transparentes e detalhes delicados têm aparecido em coordenados de dia, usados com camisas largas, malhas, casacos e calçado prático. A renda já não pertence apenas à lingerie ou às ocasiões especiais: transforma-se numa camada leve que acrescenta textura a peças básicas.

Copenhaga tem sido particularmente eficaz a mostrar como os tecidos românticos podem funcionar em combinações descontraídas, até quando o clima exige casacos e várias camadas.

Chinelos, sandálias mínimas e o sapato inesperado

O calçado continua a ser uma das formas mais rápidas de quebrar a lógica de um look. Chinelos com vestidos elaborados, sandálias de salto baixo com peças utilitárias e modelos que parecem saídos da praia acompanham roupas muito mais sofisticadas.

A fronteira entre calçado casual e de noite está tão difusa que a Havaianas apresentou em Copenhaga o seu primeiro chinelo com kitten heel, numa colaboração com a Studio Constance. É um exemplo perfeito da capacidade desta Semana da Moda para transformar objetos quotidianos em propostas de estilo.

Os acessórios não precisam de ser sérios

Acessórios na cabeça, óculos com lentes coloridas, malas em tons fortes, ganchos antigos e objetos pendurados nas carteiras continuam a surgir como pequenos sinais de personalidade. Em Copenhaga, um acessório não existe apenas para completar a roupa. Pode ser o elemento que muda inteiramente a leitura do conjunto.

Porque é que olhamos tanto para as ruas de Copenhaga?

O street style das semanas da moda pode parecer, por vezes, um segundo desfile: roupa escolhida para a fotografia, peças emprestadas e coordenados difíceis de reproduzir fora daquele contexto. Em Copenhaga também existe encenação, naturalmente, mas a criatividade costuma partir de peças reconhecíveis.

É por isso que Copenhaga prima tanto pelo street style. As ruas não se limitam a repetir o que apareceu na passerelle. Mostram como a moda pode ser apropriada, misturada e transformada por pessoas com estilos diferentes.

Elegemos alguns looks que roubaram a nossa atenção.

Fotografias D.R.

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