Começa de forma inocente. Vês uma pessoa, achas piada, segues em frente com a tua vida. E depois, sem perceberes muito bem quando, começas a ter comportamentos que, vistos de fora, sugerem claramente que alguma coisa se passou contigo.
O primeiro sinal é o telemóvel. De repente, desbloqueias o ecrã sem razão aparente. Não tens notificações, sabes que não tens, verificaste há quarenta segundos. Mas desbloqueias na mesma, por precaução, por se acaso, por uma razão que não consegues nomear mas que tem nome.
Depois vem a fase de investigação. Não é stalking, dizes a ti própria, é apenas curiosidade natural. Foste ao Instagram, ao LinkedIn, fizeste uma pesquisa rápida no Google e agora sabes onde andou de férias em 2019, o nome do cão que teve em criança e a opinião que tem sobre cinema de autor. Tudo informação pública. Tudo completamente normal.
Começas a ter opiniões sobre coisas que nunca te interessaram. Ele gosta de trail running e de repente estás a ver vídeos sobre trail running, a considerar comprar sapatilhas de trail running, a pensar que afinal o trail running parece mesmo muito interessante. Vais fazer trail running. Nunca vais fazer trail running.
A parte mais reveladora é o que acontece quando recebes uma mensagem. Há um reordenamento instantâneo de prioridades. Estavas a fazer qualquer coisa importante, estava tudo bem, e agora essa coisa importante pode perfeitamente esperar enquanto relês a mensagem três vezes para garantir que captaste todos os matizes possíveis de “ok, até logo”.
E depois há o momento definitivo, o momento em que sabes que estás mesmo perdida: contas uma história ao grupo de amigas e no meio da história percebes que ele está metido no assunto de uma forma que não era necessária nem foi pedida. Só estava lá, naturalmente, porque é onde a tua cabeça vai quando não está a fazer mais nada.
Diagnóstico confirmado. Boa sorte.
#GlitterUpYourLife