Há datas que chegam devagarinho, quase com pés de lã, mas que ainda assim fazem barulho cá dentro. O Dia da Mãe é uma delas. Está por todo o lado, nas montras, nos anúncios, nas conversas. E, de repente, aquilo que para muitos é celebração, para outros é uma espécie de silêncio mais pesado do que o habitual.
Quando alguém já não tem mãe, este dia muda de forma. Não desaparece, mas deixa de ser óbvio. Deixa de haver presentes para escolher ou telefonemas para fazer. E fica aquele espaço estranho entre o que era e o que já não é. A tendência natural pode ser querer fugir, ignorar, tratar o dia como outro qualquer. E, às vezes, isso é exatamente o que faz sentido. Não há uma forma certa de viver este dia.
Mas há pequenas coisas que podem ajudar a torná-lo mais leve. Uma delas é permitir que a memória exista sem culpa. Lembrar não precisa de ser doloroso. Pode ser escolher uma fotografia, cozinhar uma receita que ela fazia, ouvir uma música que lhe pertencia. Pequenos gestos que não reabrem feridas, mas que mantêm viva a ligação.
Outra opção é reinventar o significado do dia. Talvez seja um momento para cuidar de si, para abrandar, para fazer algo que normalmente não faz. Ou até para celebrar outras figuras que, de alguma forma, ocuparam esse lugar: uma avó, uma tia, uma amiga. O Dia da Mãe não precisa de ser rígido. Pode adaptar-se à história de cada um.
Também é importante aceitar que as emoções podem ser contraditórias. Pode haver saudade, mas também tranquilidade. Pode haver tristeza, mas também momentos de leveza inesperada. Nenhuma destas reações está errada. Fazem todas parte de um processo que não tem prazo nem manual.
E depois há o lado mais prático, quase discreto, mas essencial: escolher o que consumir nesse dia. Se as redes sociais parecem demasiado, vale a pena desligar. Se os planos habituais não fazem sentido, não é obrigatório segui-los. Proteger o próprio espaço emocional também é uma forma de cuidado.
Com o tempo, o Dia da Mãe deixa de ser apenas ausência e passa a ser também presença de outra forma. Nas memórias, nos hábitos, nas frases que repetimos sem dar conta. Não substitui, não compensa, mas transforma-se.
#GlitterUpYourLife