Manter o brilho nesta época sem nos deixarmos ofuscar pelas luzes de Natal – Carta aberta a dezembro!

Meu querido mês de dezembro,

Por fim, chegas. Levo o ano inteiro a não querer pensar na tua azáfama, nos teus curtos e frescos dias, nas luzes que me obrigas a acender mesmo quando me apetecia estar no escurinho e nos movimentos que tenho de fazer para não deixar apagar a minha luz única, mas por vezes trémula aos teus olhos sociais. Movimentos internos, movimentos de consciência, movimentos para corresponder a expectativas familiares ou culturais ou até religiosos! São muitos movimentos, dezembro, são muitas coisas que pensar, muitas que preparar, muitas prendas para abrir e muitos ciclos para fechar. 

És muito em tudo, não és manso nem brando, és intenso em toda a tua glória de último mês do ano! Mas este ano, querido dezembro, quero dizer-te que não vou ser tua escrava. Pelo contrário, vou ser a tua rainha, e eu é que vou decidir os teus movimentos em mim. Xeque-mate. É o que te vou fazer. Vais mover-te em mim com graça e leveza, com serenidade e consciência, com paz e com amor. Porque esta é uma escolha e uma decisão minha, feita com toda a lucidez. 

Não te vou tirar o brilho, nem o protagonismo, não tenho essa pretensão, só não vou deixar-me apagar no ruído das luzes. Porque no fundo também amo o teu brilhantismo e sei da tua importância para a Humanidade. E eu também sou essa humanidade, claro está. 

E sabes uma coisa? Vou viver-te todo como se fosses um presente muito desejado, vou abrir-te e dedicar-te atenção, vou colocar muito amor e harmonia em todos os momentos que me deres. E assim vou fluir contigo, sem me cegar com as luzes de Natal, acendendo luzes no meu coração e no de quem me rodear. Vou fluir, sendo aquilo que quero ver no mundo. No interno e no externo. 

Vou fluir, meu querido mês de dezembro, pois tu és uma bela prenda, uma potente luz que intensifica tudo o que eu desejo, aqui, ali e acolá. E intensificas tudo o que qualquer pessoa deseja. És assim. Intenso e brilhante. E a única maneira para dar a volta a isso é decidir regular essa tua intensidade, como quem regula uma lâmpada led. Todos os 31 dias da tua luminosa vida.

E para te viver com esta serenidade que te prometo, dezembro, termino esta carta com um pequeno exercício de presença:

Exercício de Meditação – “Ajustar a Luz”

Senta-te confortavelmente, fecha os olhos por um instante e inspira profundamente pelo nariz.
Sente o ar entrar, fresco, como os teus dias curtos.
Expira devagar pela boca, libertando o peso das expectativas, das correrias e das listas intermináveis.
Agora, imagina uma luz suave dentro do teu peito.
Não precisa de ser grande ou perfeita, apenas tua.
Observa essa luz a pulsar, tranquila, como uma pequena vela protegida do vento.
Com cada inspiração, deixa-a ganhar apenas a intensidade que te faz bem.
Nem mais, nem menos.
Tu regulas. Tu decides.

Com cada expiração, solta o excesso:
as comparações, as obrigações, o barulho, o brilho que não é teu.
Fica aqui alguns segundos, a sentir a tua própria luminosidade –
estável, serena, presente.

Quando estiveres pronta(o), abre os olhos devagar.
A tua luz está contigo. Sempre esteve.

Artigo escrito por Rute Pereira.
#TheGlitterDream