SOS GLITTER – Amigas que nos salvam 

Não sei em que altura da vida nos convencem de que temos de ser fortes sozinhas. Talvez seja nos filmes, onde a personagem principal cai de joelhos, mas logo a seguir se levanta como se não se tivesse passado nada. Pois bem: na vida real, não nos levantamos sozinhas. Na vida real, felizmente, temos amigas.

E que bênção que elas são.

São as presenças silenciosas que aparecem quando a vida parece uma comédia de mau gosto, de sábado à tarde, sabem? São as mãos invisíveis que nos puxam da cama quando o peso do mundo se colou às nossas pernas. São as gargalhadas que nos lembram que o drama até pode ser grande, mas nunca maior do que a capacidade de rir dele juntas.

Elas não chegam com discursos motivacionais lidos num qualquer livro de autoajuda. Chegam como sempre: despretensiosas, normais, às vezes até desalinhadas. Mas é nesse desalinho que está a salvação que precisamos. Quando tudo desmorona, são elas que montam o andaime à nossa volta, peça por peça, sem sequer perceberem que estão a construir projetos de arquitetura tão ou mais belos que os do Siza Vieira. 

O mais bonito é que estas amigas não chegam com música épica de fundo ou uma entrada triunfal de cinema. Muitas vezes chegam de pijama, com cara de quem também precisava de uma boa dose de salvação. Mas, juntas, a desgraça parece menos desgraçada, quase como se estivéssemos num enredo da Dolly Alderton, com direito a chocolate, confissões e muito choro. Ou se tiverem na casa dos 30 com um bom húmus, porque a consciência alimentar já é outra!

A verdade é esta: podemos mudar de casa, de cidade, de emprego, até de namorado como quem troca de camisola. Mas aquelas amigas, as que já nos viram de máscara escorrida, com roupa de hospital ou a dançar mal Beyoncé, essas ficam. São o nosso colete salva-vidas, são casa quando o mundo parece ser um lugar ao qual não pertencemos. 

É por isso que acredito que a maior herança que levamos da vida não são conquistas brilhantes nem histórias de amor cinematográficas. É esta rede invisível de mulheres que, contra todas as probabilidades, insiste em não nos deixar cair.

No fim, talvez a maior sorte da vida não seja o emprego de sonho, nem a viagem perfeita, nem o romance arrebatador. Talvez seja isto: ter amigas que aparecem sempre. Que não pedem licença, não fazem cerimónia, não pedem nada em troca. Apenas ficam. Que nos mostram que ainda estamos inteiras. Um pouco desalinhadas, é certo. Mas inteiras. Que a vida pode ser uma imensidade de coisas, desde que as tenhamos por perto, mesmo que às vezes longe.

Sobre amigas o que tenho a dizer é que: são a razão pela qual se inventaram canções de amor. 

#TheGlitterDream