Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)
Coisas que digo, penso e faço aos 40 (e que antes nem sonharia dizer, pensar… quanto mais fazer!)
Tenho andado a refletir sobre estas micro mudanças que vão acontecendo de forma natural, quase orgânica. Quem éramos aos 20 ou aos 30 não é exatamente quem somos agora, aos 40… no meu caso, 43!
Yoga e Pilates. Duas modalidades novas que entraram na minha vida e que, aos 30, jamais fariam parte do meu sábado, por exemplo. Dedicar uma manhã inteira a respirar profundamente, meditar e alongar-me? Nem pensar. O meu tempo era para dormir, recuperar da noitada de sexta-feira, e o dia só começava depois das 11h, muitas vezes com o pequeno-almoço na cama. (Entretanto nasceu a minha filha, e as manhãs ganharam uma dinâmica completamente nova!)
Mas, de repente… lá estou eu, a tentar respirar profundamente enquanto a professora me pede para “sentir o alongamento da alma”, numa prancha interminável em que o meu joelho estala mais alto que a música ambiente. A verdade é que estes momentos já não são um capricho zen — são sobrevivência pura. O exercício físico transformou-se no meu saco de boxe, o lugar onde deixo todas as frustrações acumuladas. E sim… este cliché, como todos os outros, é pura verdade.
Já não consigo ouvir música alta no carro sem pensar: “isto deve estar a estragar as colunas… ou os meus tímpanos” – o meu marido irrita-se profundamente com isto, mas deixemos esse tópico para outro episódio!
Café! Não vivia sem café. Comecei por reduzir o número de cafés por dia até deixar as cápsulas e passar a beber café de filtro. Até que… troquei o café pela cevada! Quase um sacrilégio nacional, eu sei! Agora, todas as manhãs preparo religiosamente a minha chávena de cevada, sentindo-me parte de um clube secreto de quem já não precisa daquele turbo matinal. E custou-me horrores nas primeiras semanas, com direito a dores de cabeça diárias! Surpreendentemente, até gosto do sabor – ou então já me habituei ao ritual. Afinal, se a vida muda, o paladar também pode apanhar boleia!
O salto alto de 12 cm, que antes era sinónimo de elegância, agora é só para casamentos e noites especiais… e mesmo assim termino o dia exausta, quase a perder a vergonha de me descalçar na rua e chegar a casa sem sapatos! Conclusão: tenho mil pares de sapatos que não saem do armário há anos. Coitados!
E lembras-te do gin? Antes, era só uma bebida da noite; agora é também “uma bebida que dá menos ressaca que o vinho branco”. Um simples copo pode significar uma manhã de enxaqueca no dia seguinte. Nunca o “beba com moderação” fez tanto sentido porque a fatura a pagar é ALTA!
As noitadas? Que antes duravam até às 6 da manhã, agora acabam por volta das 23h, com a frase gloriosa: “Estou a adorar, mas amanhã quero acordar cedo.” E, a verdade, é que tenho mesmo outros planos… e sabem-me maravilhosamente bem.
Quantas vezes não me apanho a dizer exatamente as mesmas frases que a minha mãe dizia? Especialmente quando se chateava. E, muitas vezes, paro no meio da frase e rio-me comigo mesma – aposto que não sou a única a sentir isto!
Aos 20, podia passar horas infinitas ao sol, sem sombra de preocupação, bronzeada até à ponta dos dedos e a achar que nada me fazia mal. Hoje? Proteção 50 é obrigatória, mesmo no horário de bebé, e se fico mais de três horas ao sol já começo a bufar, a procurar sombra e a inventar desculpas para me levantar da toalha. Ainda assim, praia é o meu lugar favorito – o que também irrita o meu marido, por vezes!
Aos 40, percebemos que a vida muda sem pedir licença, mas também que isso pode ser divertido, leve e até libertador. Nestes últimos três anos tenho vivido experiências e tenho concretizado projetos que aos 30 sonhava e não aconteceram: fiz um workshop de pintura, estive em festivais que queria muito conhecer, continuei a viajar (foi sempre um dos meus maiores sonhos!), pintei um quadro que está exposto na minha casa, comecei a fazer terapia de forma constante e sustentada, entre tantas outras coisas.
No fundo, esta noção de que não estamos cristalizados é maravilhosa porque nos permite mudar as vezes que quisermos. E mudar faz bem e recomenda-se, já aqui se escreveu sobre isso! É delicioso olhar para trás e perceber quantas pequenas partes de mim foram mudando com o passar dos anos e quantas mais irão alterar-se no tempo ainda!
É perceber que a vida vai pregando partidas (daquelas boas!) e que está tudo bem mudar de ideias, gostos e até de horários. Já não sou a mesma das noitadas até de madrugada, mas isso dá-me a desculpa perfeita para ir para casa mais cedo sem culpa nenhuma. Embora às vezes tenha saudades de quando o corpo não passava faturas de nada! Se agora prefiro uns bons alongamentos aos saltos altos, é porque afinal a elegância também pode ser sinónimo de conforto (e de joelhos sem estalidos – exagero um pouco, mas vocês percebem!). No fundo, o que importa é continuarmos a rir de nós próprios e a descobrir que a vida é sempre uma aventura que vale a pena aproveitar!
Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream