Nos últimos anos, os clubes do livro ganharam uma nova aura cool. Se antes eram associados a encontros discretos em bibliotecas ou salas de estar, hoje tornaram-se verdadeiros pontos de encontro culturais, onde se misturam literatura, conversas demoradas e, muitas vezes, um copo de vinho ou um café bem tirado. Em Lisboa, esta tendência está cada vez mais visível e confirma que ler pode ser, também, um excelente plano social.
Um bom exemplo é a Good Company Books, que transformou a ideia de clube de leitura num ritual urbano apetecível. Giovanna Centeno e Samuel Miller abriram esta livraria e café perto do Campo Pequeno e criaram um espaço onde só entram livros em inglês, de todos os géneros literários, com especial atenção aos autores lusófonos. Como o próprio nome sugere, a Good Company nasceu para ser um ponto de encontro e os clubes de leitura são uma parte essencial dessa missão. Todos os meses há várias sessões temáticas, também em inglês. Um grupo dedica-se à literatura queer, outro revisita clássicos mundiais e há ainda um clube focado em ficção contemporânea. A participação é gratuita e cada sessão começa normalmente às 19.00 e prolonga-se durante cerca de duas horas.
Mas se estes encontros acontecem no mundo real, a internet também tem desempenhado um papel inesperado no regresso da leitura ao centro da conversa cultural. No TikTok existe um verdadeiro santuário literário conhecido como #BookTok, que já soma mais de 21 mil milhões de visualizações. Nesta comunidade global, leitores partilham recomendações, reações emocionadas a livros e listas intermináveis de títulos para ler a seguir. O impacto é tão forte que, em países como o Reino Unido, os Estados Unidos ou o Brasil, várias obras esgotam ou entram diretamente nos tops de vendas graças à plataforma.
Em Portugal, o fenómeno ainda cresce a um ritmo mais tranquilo, mas já começa a mostrar sinais claros de vitalidade. A hashtag #booktokportugal ultrapassa as sete milhões de visualizações, embora a maioria das contas ainda não tenha atingido os dez mil seguidores. Ainda assim, há cada vez mais leitores a descobrir livros através destes vídeos curtos e entusiásticos e, muitas vezes, a levar essa curiosidade para encontros presenciais como os clubes de leitura.
Talvez seja precisamente essa mistura entre mundo digital e encontros à mesa de café que explica o novo charme dos clubes do livro. Num tempo dominado por ecrãs e scroll infinito, sentar-se para falar de histórias, personagens e ideias tornou-se, inesperadamente, um dos planos mais cool da cidade.
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