Quantas vezes deste por ti a abrir uma mensagem, a ler rapidamente o que dizia e a pousar o telemóvel sem responder? E quantas vezes sentiste uma pequena (ou grande) culpa por isso? Pois bem, está na hora de falarmos sobre este assunto, sem drama.
Vivemos numa era em que somos constantemente bombardeados por notificações: WhatsApp, Instagram, e-mails, mensagens de voz, DMs, grupos. É como se estivéssemos sempre conectados e, ainda por cima, a sociedade criou a ideia de que responder no imediato é uma prova de boa educação, atenção ou afeto. Mas será mesmo?
Aqueles dois tracinhos azuis no WhatsApp, o “visualizado há 3 minutos”, o “a escrever…” tornaram-se quase armas silenciosas nas nossas relações. De repente, estamos a medir carinho, interesse ou profissionalismo com base na rapidez da resposta. A verdade é que o simples facto de teres lido uma mensagem não te deve obrigar a parar tudo o que estás a fazer para responder. E mais: nem todas as mensagens precisam de resposta. Às vezes, ver já é suficiente.
Responder de imediato pode ser uma escolha, mas não deve ser uma obrigação. Vivemos vidas ocupadas, com múltiplas janelas abertas (literal e mentalmente), e nem sempre temos espaço para dar a resposta certa, com calma, ou simplesmente vontade. Há dias em que o cérebro está cheio, as notificações não param e há mensagens que simplesmente precisam de mais tempo para serem processadas. E está tudo bem.
Esta reflexão pode parecer descabida, mas trouxemo-la porque, efetivamente, há pessoas que ficam genuinamente ofendidas por não receberem uma resposta em tempo real. Talvez esteja na hora de mudarmos essa mentalidade.
Um telemóvel é uma ferramenta, não um alarme de emergência, nem tudo é urgente. E se for, quem precisa mesmo de ti vai ligar (sim, porque as chamadas ainda existem).
Se pensarmos bem, ler e não responder naquele momento pode ser uma forma de respeitar a outra pessoa, porque estás a dar-te tempo para responder com atenção e intenção. Não é um problema quereres responder quando tiveres cabeça para isso. A nosso ver, essa abordagem até vale mais do que um “ok” automático só para cumprir calendário digital.
Estamos todos a tentar manter o equilíbrio entre estar presentes online e estarmos inteiros offline. Saber que os outros também precisam de espaço ajuda-nos a dar esse espaço a nós próprios.
Vale a pena refletir sobre isto.
Beatriz Fernandes
Aluna do 2º ano de Ciências da Comunicação na FLUP e Bolseira Gulbenkian
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