As atrizes que já vestiram a pele de Marilyn Monroe e as primeiras imagens de Dakota Johnson nesse papel

Mais de seis décadas depois da sua morte, Marilyn Monroe continua a ser uma das figuras mais revisitadas pelo cinema e pela televisão. Dakota Johnson é a mais recente atriz a assumir o cabelo platinado e o célebre sinal de beleza, juntando-se a uma longa lista de intérpretes que tentaram descobrir a mulher escondida por detrás do mito.

Interpretar Marilyn Monroe nunca é apenas reproduzir uma imagem. O cabelo loiro, os lábios vermelhos, a voz delicada e os vestidos que entraram para a história tornam a transformação imediatamente reconhecível. O verdadeiro desafio começa depois: encontrar Norma Jeane Mortenson por detrás da estrela fabricada por Hollywood.

Ao longo das décadas, diferentes atrizes procuraram fazê-lo, umas através de retratos biográficos, outras em homenagens, fantasias ou breves aparições. Algumas aproximaram-se da figura pública; outras concentraram-se na vulnerabilidade, na ambição e nas contradições da mulher que viveu sob o peso de ser Marilyn.

Misty Rowe em Goodbye, Norma Jean

Misty Rowe protagonizou uma das primeiras dramatizações cinematográficas da vida da atriz. Lançado em 1976, Goodbye, Norma Jean acompanha os anos anteriores à fama, quando Norma Jeane ainda procurava conquistar um lugar em Hollywood. Mais do que recriar a estrela já conhecida, o filme tentou mostrar a jovem que existia antes da construção do mito, embora a abordagem tenha sido frequentemente criticada pelo seu tom sensacionalista.

Catherine Hicks em Marilyn: The Untold Story

Em 1980, Catherine Hicks assumiu o papel principal no telefilme Marilyn: The Untold Story. A produção percorreu diferentes fases da vida de Monroe, desde a infância instável até à ascensão como uma das mulheres mais famosas do mundo. A interpretação valeu a Hicks uma nomeação para os Emmy e ajudou a consolidar o interesse televisivo pela história pessoal da atriz.

Theresa Russell em Insignificance

Em Insignificance, de 1985, Theresa Russell não interpreta formalmente Marilyn Monroe, mas uma personagem chamada simplesmente “A Atriz”, claramente inspirada nela. O filme imagina um encontro fictício entre figuras reconhecíveis como Monroe, Albert Einstein, Joe DiMaggio e o senador Joseph McCarthy. Em vez de reconstruir uma biografia, utiliza os ícones para refletir sobre fama, inteligência, poder e desejo.

Susan Griffiths em Marilyn and Me

A semelhança física de Susan Griffiths com Marilyn Monroe tornou-a uma das suas intérpretes mais recorrentes. Em 1991, protagonizou o telefilme Marilyn and Me, centrado na alegação de um jornalista de que teria sido secretamente casado com a atriz antes de ela alcançar a fama. Griffiths voltaria a representar Marilyn noutros projetos, incluindo aparições televisivas e recriações do imaginário da estrela.

Ashley Judd e Mira Sorvino em Norma Jean & Marilyn

A minissérie da HBO Norma Jean & Marilyn, lançada em 1996, apresentou uma das abordagens mais interessantes à identidade fragmentada da atriz. Ashley Judd interpreta Norma Jeane, enquanto Mira Sorvino representa Marilyn Monroe. As duas surgem como lados diferentes da mesma mulher: de um lado, a jovem insegura e marcada pelo abandono; do outro, a personagem sensual e confiante criada para sobreviver em Hollywood. A interpretação de Sorvino recebeu nomeações para os Emmy e para os Globos de Ouro.

Michelle Williams em Sete dias com Marilyn

Michelle Williams apresentou uma das interpretações mais celebradas de Marilyn Monroe em Sete Dias com Marilyn, de 2011. O filme acompanha os bastidores de O Príncipe e a Corista e mostra Marilyn durante uma fase de grande fragilidade emocional. Williams não procurou apenas copiar os gestos ou a voz da atriz: tentou revelar a diferença entre a estrela que seduzia as câmaras e a mulher insegura que surgia quando as luzes se apagavam. O desempenho valeu-lhe um Globo de Ouro e uma nomeação para o Óscar de Melhor Atriz.

Ana de Armas em Blonde

Em 2022, Ana de Armas assumiu uma das transformações mais comentadas dos últimos anos. Blonde, realizado por Andrew Dominik e inspirado no romance de Joyce Carol Oates, apresentou uma versão ficcionada, sombria e controversa da vida de Monroe. O filme dividiu opiniões pela forma como representou o sofrimento e a exploração da atriz. Ainda assim, a entrega de Ana de Armas foi amplamente reconhecida, valendo-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Atriz.

Dakota Johnson e Ellen Burstyn em Flesh Impact

Dakota Johnson é agora a mais recente atriz a transformar-se em Marilyn Monroe. Em Flesh Impact, uma curta-metragem de 17 minutos escrita e realizada por Maggie Gyllenhaal, interpreta a estrela aos 36 anos, a idade que tinha quando morreu. O projeto conta também com Ellen Burstyn como uma versão mais velha de Marilyn, a mulher que o mundo nunca chegou a conhecer. A narrativa imagina, assim, não apenas a figura que ficou congelada no tempo, mas aquilo em que poderia ter-se transformado caso tivesse tido a oportunidade de envelhecer.

A curta será apresentada no Festival de Cinema de Veneza de 2026 e integra as celebrações do centenário do nascimento de Marilyn Monroe. Mais do que uma nova biografia, Flesh Impact é descrita como uma homenagem à sua presença no ecrã e uma reflexão sobre o poder e a vulnerabilidade das atrizes.

Uma imagem que nunca deixa de ser reinterpretada

Marilyn Monroe morreu em 1962, mas a sua imagem continua a ser recriada por novas gerações. Cada interpretação escolhe uma Marilyn diferente: a jovem ambiciosa, a estrela sensual, a mulher ferida, a personagem inventada pelos estúdios ou o ícone aprisionado pela própria fama.

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