Objetos do dia a dia que foram inventados por acidente

Nem todas as grandes invenções nasceram de um plano genial. Algumas começaram com um chocolate derretido no bolso, uma cola que não colava o suficiente ou uma mola que caiu ao chão. Estes objetos provam que, por vezes, o erro é apenas o início da ideia certa.

Estamos rodeados de objetos tão banais que raramente pensamos em quem os inventou, muito menos em como surgiram. Mas várias coisas que usamos todos os dias nasceram de experiências que correram mal, descobertas inesperadas ou simples acidentes de laboratório.

O micro-ondas

Em 1945, o engenheiro Percy Spencer trabalhava com magnetrões utilizados em sistemas de radar quando percebeu que uma barra de chocolate que tinha no bolso tinha derretido. Em vez de ignorar o episódio, começou a testar outros alimentos, incluindo milho para pipocas, e percebeu que as micro-ondas podiam aquecer comida rapidamente.

A Raytheon apresentou pouco depois a patente para o processo de cozinhar através de micro-ondas. O primeiro aparelho estava muito longe daquele que hoje ocupa as nossas cozinhas: tinha cerca de dois metros de altura e pesava centenas de quilos.

Os Post-it

Spencer Silver, cientista da 3M, tentava desenvolver uma cola muito resistente quando, em 1968, conseguiu precisamente o contrário: um adesivo que colava, mas podia ser facilmente removido sem deixar grandes resíduos.

Durante algum tempo, ninguém soube muito bem o que fazer com aquela descoberta. Até que outro investigador da empresa, Art Fry, procurou uma forma de marcar as páginas do seu livro de cânticos sem que os pequenos papéis caíssem constantemente. Aplicou a cola de Silver ao papel e nasceu a ideia que daria origem aos Post-it Notes.

A Super Cola

Harry Coover procurava, durante a Segunda Guerra Mundial, materiais transparentes que pudessem ser usados em miras de precisão quando a sua equipa se deparou com os cianoacrilatos. O problema? Colavam praticamente tudo onde tocavam.

Por serem demasiado pegajosos para o objetivo inicial, foram postos de lado. Anos depois, Coover voltou a encontrar aqueles compostos e percebeu que aquilo que antes parecia um defeito era precisamente a sua maior vantagem. O produto acabaria comercializado como a cola instantânea que hoje conhecemos como Super Cola.

O Slinky

Antes de ser um dos brinquedos mais reconhecíveis do século XX, o Slinky era apenas uma mola num laboratório. O engenheiro naval Richard James trabalhava num sistema para estabilizar equipamento dentro dos navios quando uma das molas caiu e começou a deslocar-se de uma forma curiosa pelo chão.

James percebeu imediatamente que aquele movimento podia dar um brinquedo. A mulher, Betty James, encontrou a palavra “Slinky” no dicionário e, em 1945, o casal começou a vendê-lo. Numa das primeiras demonstrações numa loja de Filadélfia, centenas desapareceram das prateleiras em poucas horas.

O vidro de segurança

A história do vidro laminado de segurança também começa com algo a cair ao chão. Em 1903, o químico francês Édouard Bénédictus deixou cair um frasco de vidro e reparou que, apesar de se ter partido, os fragmentos permaneceram unidos.

No interior tinha ficado uma fina película de uma substância plástica proveniente de uma solução anteriormente guardada no recipiente. A observação acabaria por inspirá-lo a criar um vidro composto por camadas, capaz de permanecer unido depois de partir, princípio que viria a ser aplicado, entre outras coisas, nos para-brisas dos automóveis. A história do acidente tornou-se quase lendária, embora investigações históricas mais recentes alertem que alguns pormenores foram sendo embelezados ao longo do tempo.

Quando o erro resulta melhor do que o plano

Nenhuma destas descobertas aconteceu apenas por sorte. O acidente abriu a porta, mas foi preciso alguém reparar que tinha acontecido algo interessante e decidir investigar.

Um chocolate derretido podia ter acabado simplesmente no lixo. Uma cola demasiado fraca podia ter sido classificada como uma experiência falhada. Uma mola caída podia ter voltado para a bancada.

A diferença foi alguém olhar para o erro e pensar: “E se isto servir para outra coisa?”

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