Beber água do mar: moda passageira ou aliado para a saúde? O que diz a medicina integrativa

A ideia de beber água do mar pode parecer estranha à primeira vista. Afinal, desde pequenos ouvimos dizer que nunca devemos beber água salgada. Mas nos últimos anos, este ingrediente natural voltou a ganhar protagonismo graças à medicina integrativa e ao crescente interesse por soluções mais naturais para promover o bem-estar.

Em Portugal, um dos maiores defensores desta prática é o Dr. Manuel Pinto Coelho, médico dedicado à medicina preventiva e ao envelhecimento saudável, que considera a água do mar um concentrado natural de minerais e oligoelementos essenciais ao organismo.

Porque desperta tanto interesse?

A água do mar contém dezenas de minerais e oligoelementos, como magnésio, cálcio, potássio, sódio e zinco. Segundo Manuel Pinto Coelho, quando utilizada corretamente, pode funcionar como um complemento para ajudar a repor minerais importantes para o organismo e contribuir para o equilíbrio mineral do corpo.

Entre os benefícios que lhe são habitualmente atribuídos na medicina integrativa encontram-se:

  • apoio ao equilíbrio mineral do organismo;
  • contribuição para uma hidratação celular mais eficiente;
  • suporte do sistema digestivo;
  • ajuda na recuperação após exercício físico;
  • reforço do bem-estar geral.

Contudo, importa referir que estes potenciais benefícios continuam a ser objeto de debate científico e não existem, atualmente, provas clínicas robustas que permitam confirmar muitos destes efeitos para a população em geral.

Mas afinal pode beber-se água do mar?

A resposta curta é: não diretamente do oceano. A água recolhida na praia pode conter microrganismos, poluentes, sedimentos e microplásticos, pelo que não deve ser consumida. Os produtos comercializados para consumo humano são captados em zonas controladas, sujeitos a processos de filtragem e controlo laboratorial.

Além disso, os especialistas que defendem o seu consumo recomendam normalmente a versão isotónica, ou seja, água do mar previamente diluída para reduzir a concentração de sal e aproximar a sua composição da dos líquidos corporais.

O que diz a ciência?

Apesar do entusiasmo de alguns profissionais da medicina integrativa, organizações internacionais como a OMS e a NOAA continuam a alertar que a água do mar, na sua forma natural, possui uma concentração de sal demasiado elevada para ser utilizada como bebida. O consumo direto pode aumentar a desidratação, sobrecarregar os rins e representar riscos para a saúde.

Também estudos recentes sugerem que a ingestão prolongada de água com elevada salinidade pode estar associada a problemas cardiovasculares, renais e complicações na gravidez.

Vale a pena experimentar?

Como acontece com muitos produtos naturais, a resposta depende do contexto. Para quem tem curiosidade, a recomendação passa por optar apenas por produtos preparados para consumo humano, respeitar as doses indicadas e, sobretudo, falar previamente com um profissional de saúde, especialmente em casos de hipertensão, doença renal, gravidez ou outras patologias.

A água do mar continua a dividir opiniões. Para alguns, é um recurso natural rico em minerais que merece um lugar na medicina integrativa. Para outros, faltam ainda estudos clínicos de elevada qualidade que comprovem muitos dos benefícios que lhe são atribuídos. E, como quase sempre acontece na saúde, o equilíbrio e a informação são os melhores aliados.

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