Olá, agosto: o mês em que o dia vai escurecer a meio da tarde

Agosto chega sempre como o auge de qualquer verão português. Julho já nos deixou com a pele mais dourada e a agenda mais vazia, mas é em agosto que tudo atinge o seu ponto mais alto: o calor, as férias, as saudades de quem vive longe e volta só nesta altura, a vontade de não fazer absolutamente nada além de estar ao sol.

E este agosto, em particular, tem um motivo muito especial para ficar marcado. No dia 12, ao final da tarde, Portugal vai assistir a um eclipse solar como não se via desde 1912. Em quase todo o continente o sol vai ficar coberto entre 92% e praticamente 100%, e há mesmo uma faixa minúscula, no Parque Natural de Montesinho, em Bragança, onde o dia se transforma em noite durante uns segundos. Se estiveres por aí ao início da noite, vale a pena procurar um horizonte desimpedido e uns óculos próprios para observação, porque um espetáculo destes só volta a repetir-se em 2144.

E como se um eclipse não bastasse, a mesma noite de 12 para 13 de agosto traz também o pico das Perseidas, a chuva de estrelas mais aguardada do verão. Este ano coincide com lua nova, o que significa céus mais escuros e uma das melhores oportunidades dos últimos anos para pedir aquele desejo enquanto uma estrela cadente atravessa o céu.

Depois há o quinze de agosto, feriado da Assunção de Nossa Senhora, que este ano cai a um sábado. É já tradicionalmente um dos dias mais movimentados do calendário religioso português, com romarias, procissões e festas populares espalhadas por todo o país, muitas delas coincidindo com as festas de verão das localidades do interior.

Agosto é também o mês dos grandes festivais de música ao ar livre. O Vodafone Paredes de Coura, um dos mais antigos e mais amados festivais alternativos do país, acontece este ano entre 12 e 15 de agosto, à beira-rio, com o habitual cartaz que mistura nomes internacionais e portugueses. Para quem prefere ficar por perto de casa, são semanas em que praticamente todas as vilas e aldeias têm a sua própria festa, com arraiais, bandas filarmónicas e comes e bebes até tarde.

É também, para muitos, o mês do regresso. Os emigrantes voltam, as ruas das aldeias enchem-se de matrículas estrangeiras e as conversas de café ganham outra animação. As cidades esvaziam-se um pouco, o trânsito acalma e há qualquer coisa de nostálgico nesse contraste entre o litoral cheio de turistas e o interior finalmente barulhento outra vez.

Agosto pede pouco: uma sombra, água fresca, talvez uma noite ao relento a ver o céu. Este ano, com um eclipse histórico e a maior chuva de estrelas do verão na mesma noite, tem ainda mais razões para nos fazer olhar para cima e lembrar como é bom parar, mesmo que seja só por umas semanas.

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