Sentes-te em baixo desde que voltaste das férias? Tem nome e tem solução.

O primeiro dia de trabalho depois das férias tem sempre aquele sabor amargo: os e-mails acumulados, o despertador que volta a tocar cedo, a sensação de que o verão passou depressa demais. Se sentes uma mistura de tristeza, cansaço e falta de motivação nos dias que se seguem ao regresso, não estás sozinha. Este fenómeno até tem nome, síndrome pós-férias, e é muito mais comum do que se pensa.

O que é, afinal, esta “depressão” pós-férias

Apesar do nome dramático, os especialistas são unânimes: não se trata de um transtorno depressivo clínico, mas sim de uma fase transitória de adaptação. A mudança abrupta entre o ritmo relaxado das férias e a retoma da rotina de trabalho é normalmente a principal causa, sobretudo quando o ambiente profissional já era, por si só, motivo de stress. Os sintomas mais comuns incluem apatia, tristeza, irritabilidade, dificuldade em dormir e uma quebra geral de energia. Em casos mais intensos, podem surgir também dores de cabeça, ansiedade e até palpitações, sintomas que, a persistirem, justificam já uma conversa com um profissional de saúde mental.

Porque é que isto acontece

Além da mudança brusca de ritmo, há outro fator que os psicólogos apontam com frequência: o desalinhamento entre a pessoa e as suas responsabilidades diárias. Se o trabalho a que se regressa não é estimulante, ou se a relação com a chefia e a equipa é tensa, a síndrome pós-férias tende a ser mais intensa e a durar mais tempo. Nesse sentido, funciona quase como um termómetro, mostra-nos, sem filtros, o que realmente sentimos em relação à nossa rotina.

Como suavizar a transição

A boa notícia é que existem estratégias simples que ajudam a tornar este período mais leve.

Regressa a casa uns dois ou três dias antes de voltar ao trabalho, para teres tempo de te organizares sem pressa. Ajusta a hora de deitar e de acordar progressivamente, em vez de fazeres um corte abrupto no dia seguinte à viagem. Se puderes escolher, marca o regresso ao trabalho para o meio da semana, quarta ou quinta-feira, para que a primeira semana seja mais curta.

Prolonga um pouco o espírito das férias, um jantar com amigas para partilhar fotografias e histórias ajuda a fazer a transição de forma mais suave. Também vale a pena já ter um plano para o primeiro fim de semana depois do regresso, ter algo a que te agarrares dá mais motivação para atravessar a primeira semana.

E se, mesmo com tudo isto, o mal-estar persistir para lá das primeiras semanas, ou se sentires que os sintomas estão a interferir seriamente no teu dia a dia, o passo seguinte é procurar apoio especializado. Não há nada de errado em pedir ajuda quando a tristeza do regresso teima em não passar.

No final, a síndrome pós-férias é só isso, uma fase. E, como todas as fases, passa. Até às próximas férias.

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