A 26 de julho assinala-se o Dia dos Avós. Todos os anos, nesta data, repete-se o mesmo ritual: a prenda para os avós, o almoço maior do que o habitual, a fotografia com três gerações. O que quase ninguém faz, neste dia, é parar para pensar em como se prepara essa fase da vida.
Segundo Daniel Rocha, analista de mercados financeiros e comentador de geopolítica, quem tem hoje 30, 40 ou 50 anos já está a decidir, sem se aperceber, se vai chegar à reforma com independência ou dependente dos filhos.
“As pessoas tratam a reforma como um problema dos 60 anos. É um erro. Aos 60 já não há margem para corrigir nada, só resta gerir o que ficou por fazer”, diz Daniel Rocha.
Há uma conta que quase ninguém faz, apesar de hoje em dia não exigir mais do que cinco minutos e um login na Segurança Social Direta: quanto vamos receber de pensão e quanto isso fica aquém do que gastamos hoje. Sabemos o salário ao cêntimo, mas não fazemos ideia do buraco que vamos ter de tapar sozinhos. É a conta mais importante que a maioria dos portugueses nunca fez, e também a que menos desculpa tem para continuar por fazer.
O tempo conta, e conta de forma diferente consoante a idade em que decidimos encarar o assunto. Aos 40 anos ainda sobram cerca de duas décadas e meia para corrigir o rumo sem drama. Aos 50, sobra bem menos, e cada ano de atraso pesa mais do que pesava há dez anos. O que muda com o adiamento não é a urgência, é o preço de continuar a adiar.
A carreira faz parte da mesma conversa, ainda que quase ninguém a trate como tal. Trabalhar depois dos 65 está a deixar de ser exceção, o que torna ainda mais pertinente perguntar, sem rodeios, se o corpo e a cabeça vão aguentar a profissão atual até lá, e o que é preciso aprender já para continuar a ter valor no mercado de trabalho daqui a vinte anos.
Depois há a conversa em família que ninguém quer ter. Uns pais dão como garantido que os filhos vão ajudar na velhice. Os filhos, muitas vezes, nunca chegaram a prometer nada disso. Fica tudo por dizer até ao dia em que deixa de ser uma conversa e passa a ser uma urgência, sem tempo para negociar com calma. “Vejo muita gente a financiar o presente à custa da sua reforma, sem sequer ter feito essa conta”, nota Daniel Rocha.
Para quem quiser aproveitar este Dia dos Avós para começar a olhar para a própria reforma, há cinco passos simples para dar ainda antes do final do ano.
O primeiro é entrar na Segurança Social Direta com o NISS e a palavra passe, ou a Chave Móvel Digital, e usar o Simulador de Pensões na opção automática, o que em segundos revela a idade prevista para a reforma e o valor bruto estimado da pensão, permitindo comparar esse valor com o que se gasta hoje num mês normal.
O segundo passo é fazer o orçamento do que se espera gastar por mês depois de reformado, entre casa, saúde, alimentação e lazer, comparando esse valor com a pensão já simulada, sendo a diferença entre os dois o valor mensal que é preciso cobrir sozinho.
O terceiro passo é multiplicar esse valor mensal em falta pelos anos que se espera viver depois de reformado, contando pelo menos 20 a 25 anos para ser realista, chegando assim ao montante total que é preciso construir até lá, e não apenas ao que falta por mês.
O quarto passo é automatizar uma transferência mensal fixa no dia em que se recebe o salário, sem deixar esse dinheiro parado numa conta à ordem, já que poupar sem rentabilizar perde valor todos os anos com a inflação, e o dinheiro só trabalha a favor de quem sai do circuito de despesa e passa a investidor, mesmo que a decisão de onde aplicar venha depois.
O quinto e último passo é fazer a lista de tudo o que ainda se deve, incluindo o crédito à habitação, com os anos que faltam para cada dívida terminar, verificando se essas dívidas ficam liquidadas antes ou depois da idade em que se pretende reformar.
“Neste Dia dos Avós, celebre com quem já chegou lá. Mas não se esqueça de pensar no seu próprio futuro: está a preparar-se para envelhecer bem?”, remata Daniel Rocha.
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