Glitter Top: 5 igrejas imperdíveis em Portugal

Há um Portugal inteiro escondido em torres sineiras, fachadas de azulejo e capelas que nunca chegaram a ficar prontas, e a maior parte fica bem longe dos roteiros mais óbvios. Reunimos cinco igrejas espalhadas de norte a sul do país, algumas famosas, outras quase secretas, mas todas com uma história que vale bem mais do que a paragem rápida para uma fotografia.

Igreja Matriz de Santa Maria de Válega, Ovar

O atual edifício começou a ser construído em 1746 e a obra demorou mais de um século a ficar concluída. A fachada está inteiramente revestida a azulejos policromáticos, colocados em 1960 pela fábrica Aleluia, com cenas figurativas de temas bíblicos que transformam o exterior numa espécie de banda desenhada em cerâmica. No interior, o teto é coberto por madeiras exóticas doadas a meio do século XX, e os vitrais, desenhados em Madrid, foram oferta de um comendador local. É o tipo de igreja que só se descobre saindo dos roteiros mais batidos, e que vale bem o desvio.

Igreja de Nossa Senhora de Marvila, Santarém

Conhecida como a “Catedral do Azulejo” em Portugal, esta igreja manuelina é um dos maiores testemunhos da azulejaria portuguesa do século XVII. As paredes estão cobertas por azulejos de várias cores e por um enxadrezado azul e branco datado entre 1617 e 1639, criando um efeito visual que hipnotiza qualquer visitante. O órgão hoje associado à igreja pertenceu originalmente ao extinto Convento de Santa Clara de Santarém, o que junta ainda mais história a um espaço já de si carregado de significado.

Igreja Matriz de Santa Marinha, Cortegaça

A referência mais antiga a este templo remonta a um documento de 1163, embora o edifício que hoje se visita seja bem mais recente, inaugurado em 1918 depois de o anterior ter sido demolido. A fachada, ladeada por duas torres, está coberta por azulejos azuis e brancos com representações de santos e motivos religiosos, típicos da forte tradição de azulejaria da região de Ovar. É uma daquelas igrejas que prova que não é preciso ter séculos de idade para ser um marco visual inconfundível.

Igreja do Carmo, Porto

No cruzamento entre a Praça de Carlos Alberto e a Rua do Carmo, mesmo perto da Torre dos Clérigos, ergue-se esta igreja barroca e rococó construída entre 1756 e 1768. O que a torna verdadeiramente especial é o vizinho: colada à Igreja dos Carmelitas, foi erguida separada apenas por pouco mais de um metro e meio de largura, dando origem à célebre Casa Escondida do Porto, considerada uma das casas mais estreitas do país. A fachada lateral está coberta por um imponente painel de azulejos de 1912, enquanto o interior guarda talha dourada.

Igreja de Santo Ildefonso, Porto

Na Praça da Batalha, esta igreja reconstruída entre 1709 e 1739, sobre o local de uma antiga capela do século XIII, é hoje uma das imagens mais reconhecíveis do Porto, com a fachada revestida por cerca de onze mil azulejos pintados por Jorge Colaço em 1932. Menos conhecido do público é o museu de arte sacra integrado no próprio edifício, com sete salas abertas à visita, onde se reúnem têxteis litúrgicos, alfaias em prata e outras peças do espólio da paróquia, um complemento discreto mas rico para quem visita a igreja apenas pela fachada e acaba por descobrir muito mais lá dentro.

Cinco paragens, cinco histórias completamente diferentes, e a confirmação de que a arquitetura religiosa portuguesa continua cheia de surpresas para quem estiver disposto a olhar com mais atenção.

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