Como viajar de carro com crianças sem perder a cabeça

Viajar de carro com crianças pode ser uma experiência maravilhosa. Vão em família, a ouvir música enquanto cantam desafinadamente. Observam a paisagem e respondem às mil perguntas que os miúdos fazem. E ainda dormem uma sesta. Mas também pode ser um inferno. As discussões entre irmãos, os gritos que ecoam no carro, os pés batem nos bancos e o vómito ameaça sair. Este artigo é para estes dias, em que uma viagem de duas horas parece durar doze. Não prometemos silêncio absoluto no carro, nem crianças zen durante 300 quilómetros, mas prometemos dicas que ajudam.

Não saias à estrada sem um pequeno plano

Improvisar tudo quando se viaja com crianças raramente corre brilhantemente. Antes de sair, vale a pena pensar no básico: quanto tempo dura a viagem, onde faz sentido parar, a que horas idealmente querem sair, o que vão precisar durante o caminho e o que convém ter à mão.

Se a viagem for longa, tenta perceber logo à partida onde poderão fazer uma pausa agradável, de preferência num sítio com casas de banho decentes, espaço para andar um bocadinho e alguma opção para comer.

Se conseguires, alinha a viagem com as sestas ou com horários mais favoráveis

Nem sempre é possível, claro, mas quando dá, sair numa hora estratégica ajuda muito. Se tens crianças pequenas, viajar durante a sesta pode comprar-te uma ou duas horas de paz. Se são mais crescidas, às vezes sair bem cedo também funciona, porque o entusiasmo da partida ajuda e o trânsito costuma ser melhor.

O mais importante é tentar evitar arrancar em cima da hora da fome, do cansaço ou de um horário em que já sabes que a criança costuma estar mais saturada. Meio caminho andado para uma viagem mais tranquila é não começar com toda a gente já irritada.

Faz um kit de sobrevivência para o banco de trás

Este é um dos segredos de ouro: em vez de ires tirando coisas da mala à medida que alguém pede, prepara um pequeno kit com tudo o que pode vir a ser preciso durante a viagem. Água, toalhitas, guardanapos, muda de roupa para os mais pequenos, sacos para lixo, um casaco leve, protetor solar se for verão, carregadores, lenços, medicação básica e qualquer coisa útil para emergências.

Se houver tendência para enjoos, convém levar isso em conta antes da viagem começar. E se há uma regra simples que poupa stress é esta: tudo o que pode ser necessário em andamento deve estar acessível sem teres de desmontar a bagageira inteira.

Os snacks são metade da estratégia

Uma criança com fome dentro de um carro é, muitas vezes, uma criança à beira do colapso emocional e, por arrasto, uma família inteira também. Leva snacks variados, práticos e fáceis de comer sem grandes dramas. Fruta já cortada, bolachas simples, sandes pequenas, palitos de pão, queques, pacotinhos de fruta, cereais, o que fizer sentido para a idade e gostos dos miúdos.

Menos brinquedos, melhores escolhas

Não vale a pena levar metade do quarto das crianças. O ideal é escolher algumas opções que realmente entretenham e que sejam fáceis de usar no carro. Livros pequenos, cadernos de atividades, autocolantes, jogos magnéticos, canetas laváveis, cartas, brinquedos silenciosos, um boneco favorito ou um tablet com conteúdo descarregado, se fizer parte da vossa dinâmica.

O truque está mais na novidade e na rotação do que na quantidade. Se tiveres dois ou três “momentos surpresa” para ir revelando ao longo da viagem, melhor ainda. Um livro novo, um jogo pequeno ou até uma guloseima inesperada podem funcionar como recurso estratégico quando o ambiente começa a descambar.

Faz pausas antes de serem um drama

Esperar até alguém estar no limite para parar nem sempre é a melhor tática. Se a viagem for longa, tenta fazer pausas regulares para esticar as pernas, ir à casa de banho, apanhar ar e gastar um bocadinho de energia. Cinco ou dez minutos fora do carro podem fazer milagres no humor de toda a gente.

Se houver um parque infantil pelo caminho, melhor ainda. Mesmo uma paragem rápida com espaço para correr um pouco já ajuda a quebrar a monotonia e a evitar aquela sensação de prisão que, ao fim de algum tempo, começa a pesar.

Cria entretenimento sem depender só dos ecrãs

Os ecrãs salvam viagens, não vale a pena fingir o contrário. E não há culpa nenhuma nisso. Mas se quiseres evitar que a viagem inteira dependa do tablet desde o primeiro minuto, vale a pena intercalar com outras distrações.

Podem fazer jogos simples como o “vejo, vejo”, procurar carros de determinada cor, inventar histórias, ouvir playlists que toda a gente gosta, cantar músicas, ouvir audiobooks infantis ou podcasts para crianças, fazer quizzes ou até conversar sobre o destino.

E lembra-te: o mood dos adultos conta muito

As crianças sentem o ambiente. Se os adultos estiverem stressados, irritados, a discutir por causa do GPS, do atraso, das malas ou da paragem errada, a probabilidade de o carro inteiro entrar em espiral aumenta. Não quer dizer que tenhas de ser a personificação da calma, mas tentar manter um ambiente leve faz diferença.

Uma boa playlist, um café antes de arrancar, sair com margem de tempo e dividir tarefas entre adultos pode ajudar bastante. Um conduz, outro gere snacks, playlists, brinquedos, pedidos de água, toalhitas e crises existenciais do banco de trás. Trabalho de equipa, basicamente.

Viajar de carro com crianças nunca vai ser sinónimo de silêncio absoluto, bancos imaculados e pais plenamente serenos. Mas também não tem de ser um pesadelo. Com organização q.b., snacks estratégicos, paragens bem pensadas e uma boa dose de flexibilidade, é perfeitamente possível transformar a viagem numa parte divertida do plano, ou, no mínimo, numa parte suportável.

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