Glitter & the city – Journaling

“Ano novo, vida nova” – há quem assim o diga. 12 passas, 12 desejos e a esperança de que, magicamente, às doze badaladas tudo mude. Para mim, os recomeços fazem-se em Setembro e não basta um par de uvas-passa, é preciso um papel e caneta.

Por isso, o que poderia ser melhor neste mês, senão um workshop de journaling? Uma manhã dedicada, inteiramente, a criar algo de raiz, só meu. Um caderno único com o meu cunho pessoal para guardar recortes de uma vida que também ela é única. Um local para depositar as minhas reflexões, as maiores conquistas, os maiores anseios ou aventuras. No fundo, tudo aquilo que quiser… não há limite para escolhas, tal como não há limites para a criatividade no workshop da plural studio. E para mim, só assim, faz sentido.

Em breve, o grupo de três amigas que fundou este estúdio irá abrir o seu próprio espaço em Lisboa. Até à ideia ganhar vida, têm recebido a sua comunidade de criadores e artesãos nas horas livres em espaços variados pela capital portuguesa. O meu workshop calhou ser no Kube coworking. E digo-vos: que espaço bonito! Luminoso, arejado e super artsy.

Logo ao terminar de subir a escadaria que nos leva ao segundo piso, deparamo-nos com uma longa mesa corrida com várias divisões de montagem para cada menina (ou menino! porque atenção esta comunidade que gosta de meter mãos à obra não se reserva apenas para as meninas). Na zona exterior, uma mesa com o catering: chá, vinho, pão de queijo e frutas variadas. Acabei mesmo por optar por uma meia de leite para acompanhar a minha manhã, não fosse eu uma coffee girl de gema.

No espaço, encontravamos ainda duas mesas com os materiais necessários para o nosso caderno. Peles, renda, elásticos, charms, autocolantes… O primeiro passo: escolher a nossa pele. Há de tudo, desde o castanho básico a padrões de animal a verde e preto. A minha ideia inicial era optar pelo bordeaux, mas à chegada já não havia disponível. E é aqui que deixo o meu conselho: cheguem a horas. Apesar de haver muita variedade à escolha, há pouca quantidade de cada cor. Acabei por optar por uma pele preta em pelo. Não era de todo o que inicialmente tinha imaginado para o meu caderno, mas deixei-me levar pela intuição e confiei no processo.

Talvez essa tenha sido a melhor parte de toda a manhã: deixar-me simplesmente guiar pelos sentidos e construir o meu caderno aos poucos, sem pensar muito. Fui por tentativa e erro e no final, apenas confiei. Talvez por isso tenha saído tão relaxada do workshop, porque ao contrário do que muitas vezes faço no meu dia-a-dia, não tentei controlar nada, não pensei muito… aliás, não pensei em nada. Só na sensação de estar a usar as mãos e de criar algo. Foi quase terapêutico. Talvez tenhamos de trazer mais isso para as nossas vidas… Em dias preenchidos por telas, voltar ao primordial – às artes plásticas. Tal como quando eramos crianças. Lembram-se? Experimentar, brincar e simplesmente estar no presente? Enfim, reflexões à parte, voltemos ao processo criativo.

Escolhi a minha pele e daí segui para o meu lugar de montagem. Ensinaram-nos como colocar os ilhós (pequenos buraquinhos por onde passariam os elásticos que mais tarde segurariam os nossos cadernos à pele). Martelamos os ilhós, primeiro passo completo. Seguia-se mais uma fase de escolhas: como decorar o nosso caderno. Um mundo de rendas de todas as cores e de lucky charms. Uma vez mais, fui-me deixando guiar pelo que me parecia bem. Queria incluir detalhes em vermelho no caderno, disso estava certa. No entanto, não funcionou. Acabei por optar pelos tons de castanho e dourado. E sabem que mais? Resultou lindamente. Mais um ensinamento: não ficar presa a ideias predefinidas e simplesmente estar recetiva a fazer outras escolhas.

No final, talvez sejam mesmo as melhores. Assim foi: renda castanha, pedrinhas a castanho, um coração adornado, um sol, uma lua e uns quantos stickers com frases e imagens que me cativaram. Regressei à zona de montagem. Passar os fios pelos ilhós, colar a renda ao caderno, construir o elástico que prenderia o caderno à sua volta… Prender os cadernos pelos elásticos e por fim, decorar a capa dos cadernos no interior com autocolantes.

ADOREI o resultado final. Talvez seja difícil visualizar todo o processo através de um texto, mas para isso lá estarão as donas do plural studio a acompanhar cada passo do processo e a ajudar. Três amigas que sempre adoraram criar e quiseram estender o convite a outras pessoas. Começaram por realizar workshops pequenos apenas com amigos… a adesão foi de tal maneira surpreendente que viram espaço para alargar a sua comunidade.

Hoje já são varias as pessoas que se juntam nos workshops para criar em conjunto. Seja leather journals, malas, arranjos florais… várias pessoas que se juntam pelo gosto pelas artes manuais e algumas que até saem amigas. O ambiente é super amigável, isso é certo. Se for o caso de irem sozinhas como eu fui, não se preocupem. Vão sozinhas, mas não estarão sós. Somos recebidas num ambiente mesmo convidativo e tranquilo…

Terminei o workshop a aperceber-me que mesmo antes de começar a dar uso ao meu leather jornalling, já tinha tido tempo para tirar tantas reflexões no seu processo de criação. Fico com um caderno só meu e com a memória de uma manhã tão apaziguadora e cozy a tantos níveis. Uma manhã para colocar telemóveis de lado e voltar a criar. Agora resta começar a dar uso ao meu caderno e mais do que isso, a por em prática cada reflexão ou sonho lá escrito.

O meu conselho? Comecem também por criar o vosso caderno. Mãos à obra e depois mãos à vida, porque setembro é o mês dos recomeços. Desejo-vos um ótimo “ano novo”. Força girls. Vão atrás dos vossos sonhos e façam-no sempre com muita confiança, porque isso é tudo o que é preciso para que a vida tenha muito glitter.

Muitos beijinhos da vossa glitter girl.
Vemo-nos no próximo episódio.

Artigo por Catarina Ogando
#GlitterUpYourLife