Uma antiga conselheira da Casa Branca para a Inteligência Artificial, a mulher que lidera o Deloitte AI Institute, a primeira Chief Online Safety Officer da indústria tecnológica e uma das responsáveis pela tecnologia da Headspace vão estar juntas no Porto para discutir algumas das decisões que irão definir a relação entre pessoas, empresas e Inteligência Artificial nos próximos anos.
A Inteligência Artificial entrou definitivamente na vida quotidiana das empresas, dos governos e das pessoas, ao mesmo tempo que levantou questões que ultrapassam largamente a capacidade das novas ferramentas ou a velocidade com que conseguem executar determinadas tarefas. À medida que algoritmos passam a participar em decisões, influenciam comportamentos e entram em áreas tão sensíveis como a saúde mental, a segurança digital ou a gestão de pessoas, cresce também a necessidade de discutir quem estabelece os limites, como se distribui a responsabilidade e que lugar deve continuar reservado ao julgamento humano.
É precisamente esta conversa que o Happiness Camp 2026 leva à Alfândega do Porto no próximo dia 24 de setembro, reunindo quatro mulheres com percursos particularmente relevantes no desenvolvimento, aplicação e regulação da tecnologia.
A primeira é Paula Goldman, Chief Ethical & Humane Use Officer da Salesforce, onde ajudou a criar uma abordagem empresarial dedicada à utilização ética e responsável da tecnologia. Ao longo do seu percurso, foi também escolhida para aconselhar a Casa Branca sobre o futuro da Inteligência Artificial e integrou a lista AI 20 da Fast Company, que distingue algumas das figuras com maior impacto neste setor.
O trabalho que desenvolve atualmente coloca-a no centro de uma das discussões mais importantes desta década, relacionada com a forma como as organizações podem integrar sistemas de Inteligência Artificial em processos, equipas e decisões mantendo critérios de responsabilidade, confiança e supervisão humana.
Ao seu lado estará Jacqueline Beauchere, Global Head of Platform Safety do Snapchat, que dedicou grande parte da carreira às questões da segurança digital. Antes de chegar ao Snapchat, passou quase 22 anos na Microsoft e tornou-se a primeira Chief Online Safety Officer da indústria tecnológica, construindo um percurso que lhe valeu também uma distinção da Coroa Britânica pelo trabalho desenvolvido na área da segurança online.
Num momento em que as redes sociais fazem parte da formação de hábitos, opiniões e referências de milhões de pessoas, o trabalho de Beauchere passa por questões que se tornaram centrais para as próprias plataformas tecnológicas, desde a proteção dos utilizadores à forma como algoritmos, sistemas de recomendação e decisões de produto conseguem influenciar comportamentos à escala global.
A terceira participante é Beena Ammanath, Global Head do Deloitte AI Institute, onde acompanha a evolução da Inteligência Artificial e o impacto que esta está a ter sobre empresas, lideranças e modelos de negócio. Com mais de duas décadas de experiência em tecnologia, Ammanath participa também em órgãos ligados ao futuro da inovação no World Economic Forum e no MIT Sloan Management Review e foi distinguida pela Thinkers50.
A sua presença no Porto traz para a conversa uma questão que muitas empresas começam agora a enfrentar na prática, relacionada com a capacidade de transformar o potencial da Inteligência Artificial em vantagem real sem perder de vista as pessoas que terão de trabalhar, decidir e adaptar-se dentro das organizações.
A quarta protagonista é Fay Kallel, Chief Product & Engineering Officer da Headspace, uma das plataformas de saúde mental mais conhecidas a nível internacional. A executiva conta com mais de 25 anos de experiência na criação de tecnologia utilizada por milhões de pessoas e passou por empresas como Yahoo, Intuit e Amazon, onde esteve envolvida em projetos relacionados com produto, inovação e Inteligência Artificial.
Na Headspace, a tecnologia cruza-se com uma das áreas onde a utilização de IA exige maior cuidado: a saúde mental. A personalização dos serviços, a acessibilidade, a utilização de dados e a possibilidade de integrar Inteligência Artificial no acompanhamento das pessoas levantam questões importantes sobre confiança, privacidade e sobre aquilo que continua a tornar humana uma relação de cuidado.
A organização apresenta esta reunião como uma das conversas mais exclusivas da edição deste ano, colocando as quatro especialistas na mesma mesa para discutir questões que já fazem parte da agenda de empresas e governos: como distinguir as decisões que podem ser entregues às máquinas daquelas que exigem julgamento humano, de que forma os algoritmos estão a moldar comportamentos, como utilizar IA em áreas sensíveis e quem deverá estabelecer os limites quando a tecnologia ganha capacidade para interferir em decisões cada vez mais importantes.
O debate integra o Happiness Camp 2026, apresentado como a maior conferência europeia dedicada à Sustentabilidade Humana e ao Futuro do Trabalho, que este ano regressa sob o tema “The Reset” e reúne especialistas internacionais nas áreas da Inteligência Artificial, liderança, comportamento humano, cultura organizacional, saúde mental e transformação das empresas.
Tudo acontece no dia 24 de setembro, na Alfândega do Porto, e a participação é gratuita, mediante inscrição e enquanto existirem lugares disponíveis.
Num momento em que grande parte da discussão sobre Inteligência Artificial continua concentrada naquilo que a tecnologia consegue fazer, o Happiness Camp leva ao Porto quatro mulheres que trabalham diariamente numa pergunta bastante mais complexa: o que queremos que a tecnologia faça por nós e que decisões continuamos a querer tomar por nós próprios?
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