Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)
Ano Novo, os mesmos 40 e Fisioterapia Pélvica!
Estou de volta. Com os mesmos 43 (faço anos em junho).
Janeiro arrancou com tudo. Brindei ao novo ano de forma muito tranquila e pacífica, em casa, com a minha filha já a dormir uma hora antes das doze badaladas. Nada de grandes resoluções, metas ambiciosas ou listas infinitas. No pressure. E foi ótimo.
Depois veio uma valente gripe, mudanças profissionais, novos projetos a chegar e o inevitável regresso à rotina depois das festas. A vidinha seguiu o seu curso: simples, intensa o suficiente e com aquela constância que, nesta fase, já aprendi a valorizar.
A grande novidade? Fui (finalmente!) a uma consulta de Fisiatria e recebi a indicação de fazer fisioterapia pélvica. E a pergunta impõe-se: porque é que a minha geração só começa a falar disto depois dos 40?
Quando fui mãe, quase não se ouvia falar de fisioterapia pélvica. Era um tema reservado às “senhoras mais velhas”, geralmente acima dos 55 anos, e quase sempre associado à incontinência, como se fosse um destino inevitável, silencioso e um bocadinho vergonhoso. Hoje sei que essa visão era limitada e profundamente injusta.
Se pudesse voltar atrás no tempo, teria cuidado do meu pavimento pélvico antes de engravidar, para o preparar; durante a gravidez, para o adaptar às transformações do corpo; e depois do parto, para recuperar com tempo, consciência e sem pressas. Teria feito perguntas, procurado informação e normalizado conversas que, durante demasiado tempo, foram empurradas para debaixo do tapete.
Porque cuidar do pavimento pélvico não é apenas prevenir sintomas. É investir em qualidade de vida, autonomia, conforto e numa relação mais respeitosa com o nosso corpo em todas as fases da vida.
E antes que penses: “ah, mas isso é só para mães, certo?” Spoiler alert: não é.
Embora muitas mulheres procurem fisioterapia pélvica após a gravidez, qualquer pessoa pode beneficiar, em qualquer idade.
E não, nem sempre estamos a falar apenas de incontinência quando damos uma gargalhada épica a ver um meme (embora, no meu caso… sim, tenha sido isso). Só que não foi uma gargalhada, foi um espirro. Um simples espirro. Aquele momento em que percebi: algo não está bem.
Isso ficou claro na consulta com a médica fisiatra, que me avaliou da cabeça aos pés, incluindo esse sítio que estás a pensar. Sim. Esse mesmo.
Em 40 minutos de consulta, descobri que vou aprender, ou reaprender, a fazer xixi e cocó (é isto mesmo, malta!) com direito a banco do IKEA, a espirrar e a tossir, a sentar-me e a levantar-me, a andar e até a respirar. Sim, tudo isto se aprende (ou devia aprender-se).
Passamos a vida convencidos de que o corpo “sabe sozinho”, quando na verdade repetimos padrões errados durante anos sem nos apercebermos. O pavimento pélvico está no centro de tudo: sustenta os órgãos, responde à pressão, adapta-se ao movimento e trabalha em equipa com a respiração e a postura. Até um simples espirro exige coordenação, controlo e resposta muscular. Quando esta base não está funcional, o corpo compensa, sobrecarrega-se e acaba por dar sinais.
Por isso, se tens:
- vontade urgente de correr para a casa de banho (tipo… agora!!!);
- sensação de peso ou desconforto “lá em baixo”;
- dores pélvicas inexplicáveis;
- dor durante as relações sexuais;
- dificuldades em atividades que antes eram normais (abdominais, saltar ou até… rir muito);
Fica atenta. Tenhas 40… ou não.
Este ano começa, assim, por me oferecer 12 sessões de fisioterapia pélvica, que vão resultar em muitos exercícios práticos para fortalecer o pavimento pélvico. A boa notícia? Se for disciplinada, posso ter alta mais cedo.
Tenho aprendido que escutar o corpo é um exercício de honestidade e também de coragem. Não vale olhar para o lado (e eu andava nisto há anos), minimizar sinais ou fingir que “não é nada”. O corpo fala sempre, mesmo quando tentamos ignorá-lo.
E cada vez mais acredito que cuidar de mim é a minha prioridade. Não por egoísmo, mas por respeito. Autocuidado não é um luxo nem uma moda passageira: é assumir responsabilidade por quem somos, pelo corpo que nos sustém todos os dias e pela vida que queremos continuar a viver.
Artigo por Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream