Elas também estão na linha da frente: no Dia Nacional do Bombeiro Profissional, falamos das mulheres

No dia 11 de setembro celebra-se o Dia Nacional do Bombeiro Profissional. Este ano, queremos olhar para quem continua a ocupar menos espaço nas fotografias, nos cargos de comando e até no imaginário quando pensamos na profissão: as mulheres bombeiras. Porque coragem, resistência e capacidade de liderar nunca tiveram género.

Quando dizemos “bombeiro”, há ainda uma imagem muito específica que aparece automaticamente na cabeça de muita gente. Homem, forte, equipamento pesado, mangueira ao ombro. Só que essa fotografia está incompleta. Há mulheres a conduzir ambulâncias, a entrar em incêndios, a prestar socorro, a trabalhar em acidentes rodoviários, a enfrentar turnos exigentes e a tomar decisões em situações em que poucos segundos podem fazer toda a diferença.

E elas já não são propriamente uma exceção. Segundo dados divulgados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, as mulheres representam cerca de 25% do contingente de bombeiros em Portugal nos quadros Ativo e de Comando. No quadro Ativo, a presença feminina chega aos 26%. A diferença aparece quando subimos na hierarquia: apenas 4% dos elementos do quadro de Comando são mulheres. Os números referem-se aos corpos de bombeiros nacionais em geral, e não exclusivamente aos bombeiros profissionais, mas ajudam a perceber uma realidade que está a mudar e outra que ainda tem muito espaço para mudar.

Talvez seja esse o ponto mais interessante para assinalar neste Dia Nacional do Bombeiro Profissional. Já ultrapassámos a fase em que a notícia era simplesmente “há mulheres bombeiras”. Agora a conversa também tem de ser sobre onde estão, que funções ocupam e quantas chegam aos lugares onde se tomam decisões.

Porque ser bombeira não é uma versão feminina da profissão. É ser bombeira. Exige preparação física, formação técnica, capacidade para trabalhar sob pressão, disciplina, resistência emocional e disponibilidade para entrar numa situação que todos os outros estão precisamente a tentar abandonar. O equipamento não pesa menos porque quem o veste é mulher. O incêndio não arde de forma diferente. A emergência não pergunta quem chegou primeiro.

Há ainda outra dimensão da profissão que raramente cabe naquela fotografia heroica de um combate às chamas: a emocional. Bombeiros lidam com acidentes, doença, morte, famílias em choque e situações potencialmente traumáticas. Em 2025, as Equipas de Apoio Psicossocial da ANEPC foram ativadas 137 vezes e intervieram junto de centenas de elementos, num lembrete importante de que resistência não significa ausência de vulnerabilidade. Força também é reconhecer que uma profissão destas deixa marcas.

O Dia Nacional do Bombeiro Profissional celebra-se a 11 de setembro e homenageia os profissionais da área, recordando também aqueles que morreram no cumprimento da missão. A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais assinala a data anualmente com iniciativas de homenagem.

No Glitter, este ano, escolhemos celebrar especialmente elas. As que já comandam, as que estão a começar, as que fazem emergência pré-hospitalar, as que combatem incêndios, as que conduzem viaturas de socorro e as que ainda têm de ouvir, ocasionalmente, a surpresa de alguém quando dizem o que fazem.

Porque talvez a imagem de uma bombeira já não devesse ser surpreendente. Surpreendente é ainda serem tão poucas nos lugares de comando.

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