Pela calçada da travessa Guilherme Cossoul, ouvia um piano de longe… foi esse som que revelou a localização do Midnight Espresso. Seguimos a melodia que ecoava por uma ruela do Chiado e demos com uma discreta porta verde, no meio de uma zona tão pacata. Não diríamos que, por detrás da mesma, se esconderia um dueto de cordas e uma bateria que tão depressa nos seria capaz de transportar para uma, tão característica, atmosfera de um bar de jazz parisiense.
Os candeeiros de estrada davam lugar às velas, o vazio de uma rua pouco movimentada dava lugar a uma sala repleta de diferentes personagens. Uma senhora que a um canto, discretamente, escrevia. A sua caneta acompanhava o ritmo do Kolme trio, a cada dedilhar do contrabaixo, o nascimento de uma nova ideia e mais uma linha escrita. Desconhecidos unidos à mesa pela pura apreciação do jazz. E se numas mesas víamos casais que deixavam o seu abraço ser embalado pela música de fundo, noutras encontrávamos personagens que escreviam a sua história a sós.
E por mais discretas que quisessem ser, eram precisamente essas que nos captavam a atenção. Talvez por estarem tão compenetradas com o momento, um momento só seu. Porque, uma boa companhia é o segredo de boas memórias, e por vezes a única de que precisamos é a nossa. E ainda que todas estas personagens não passassem discretas neste cenário, o protagonismo vai para Ruben Alves, no piano, Miguel Amado no contrabaixo e Miguel Antunes na bateria. Midnight Espresso ganha um novo espaço no Chiado, mas estende-se com um conceito que já era familiar.
Eram vários os pedidos que chegavam ao staff: o desejo de jazz nights com o cunho pessoal do Midnight. Começaram por alugar espaços para proporcionar estes momentos aos clientes já da casa, até que acabaram por arriscar num projeto próprio: a abertura de um espaço que não necessitasse de aluguer prévio, um espaço apenas do Midnight Espresso, pronto a receber todos os amantes de música num ambiente intimista.
Todas as sextas e sábados, são vários os artistas que irão marcar presença no bar lisboeta. Desde trios de jazz, solos de piano, saxofone, trompete a concertos a cappella por vozes portuguesas. O programa estende-se para todos os gostos de todos os amantes de jazz.
Mas não se enganem, ainda que a magia possa acontecer a partir do anoitecer, durante a tarde também existe vida no Midnight Espresso. Amigas que se juntam para partilhar um chá e uma sobremesa ou ávidos leitores que encontram, neste espaço, um refúgio para a sua leitura, ao sabor de um café, de um cocktail ou de um copo de vinho… fica à escolha de cada um.
No meu caso, fiz-me acompanhar de uma amiga, que considero irmã, para a inauguração do novo espaço e da primeira noite de jazz. Não prometeu nada e entregou tudo. 30€ bem investidos numa memória que ficará guardada ao som de “Voo”, um original do grupo, e tingida com Warm Words, um cocktail que complementou, na perfeição, uma noite que soube de facto a um abraço caloroso.
Estas são as minhas palavras quentes e sentidas sobre um bar que me conquistou. Midnight, fica a promessa de que voltarei. A vocês caros leitores, um beijinho com muito glitter e até ao próximo episódio.
Artigo por Catarina Ogando
#GlitterUpYourLife