Há decisões na vida que parecem pequenas no momento, mas que acabam por definir anos inteiros do nosso futuro. Escolher o que queremos ser “quando formos grandes” é uma delas. E a verdade é que nos pedem para fazer isso numa fase em que ainda mal sabemos quem somos.
Com 17 ou 18 anos, falam-nos de cursos, saídas profissionais, salários, estabilidade, estatuto. Falam-nos do que “dá dinheiro”, do que “tem futuro”, do que “fica bem”.
Mas quase ninguém nos fala do que realmente importa: o que nos faz sentir felizes, o que desperta a nossa curiosidade, o que nos entusiasma, o que nos faz sentir vivos.
E é normal. Porque muitas vezes nem nós sabemos responder a essas questões.
Eu também não sabia.
Influenciada por pressões externas, expectativas silenciosas e aquele pensamento de “não escolhas um curso abaixo da tua média”, acabei por seguir Investigação Biomédica. Parecia lógico, com futuro e socialmente válido. O problema? Com o passar dos anos percebi que não me identificava com aquela área. Não era o meu mundo. E quanto mais me tentava encaixar, mais me perdia.
Foi duro admitir que a escolha que fiz aos 17 anos não combinava com a pessoa que me tornei aos 25.
Foi duro perceber que o futuro que eu tinha construído na minha cabeça… não tinha espaço para a minha verdade. Mas foi ainda mais duro imaginar-me a viver uma vida que não era minha só porque tinha medo de começar de novo.
Cheguei a um ponto onde percebi que precisava de mudar.
E, quando eu tomo uma decisão, não é amanhã, não é daqui a uns meses, é agora!
Ou arriscava, ou aceitava que nunca me iria sentir realizada profissionalmente.
Foi um dos períodos mais difíceis da minha vida — entre a segurança de um emprego estável e o salto para o desconhecido. Entre o medo de falhar e o medo ainda maior de não tentar. Entre o que esperavam de mim e o que eu finalmente começava a querer para mim. Entre as preocupações dos meus pais e do meu namorado e a minha vontade de arriscar.
O que aconteceu? Atirei-me de cabeça.
Despedi-me.
Voltei a estudar.
Comecei a reconstruir-me, passo a passo, com receio, mas também com aquela
sensação mágica de quem finalmente está a ir na direção certa.
Passado muito pouco tempo consegui o meu primeiro trabalho como Gestora de Redes Sociais.
Voltei a sentir-me leve, confiante e feliz.
Hoje celebro cada conquista, até as mais pequenas. Porque para mim, são gigantes. São sinal da escolha que fiz. De que escolhi o meu caminho, e não o de mais ninguém. A teimosia, a determinação e esta necessidade quase visceral de viver uma vida cheia de glitter ajudaram-me a dar este salto. Não me contento com pouco. Não quero um emprego que me apague. Quero uma vida tão glitter que me faça sorrir só de pensar nela e estou finalmente a construí-la.
Este é o primeiro episódio da minha Metamorfose.
O capítulo onde tudo começa.
Onde assumo que mudei de direção, que troquei a segurança pelo sonho e que escolhi um coração cheio em vez de rotinas que não me pertencem.
Se estás a ler isto e sentes que a tua vida já não te serve… talvez este seja o sinal de que estavas à espera.
Porque nunca é tarde para te transformares.
Nunca é tarde para recomeçares.
Nunca é tarde para te escolheres.
Bem-vindos à Metamorfose.
Carolina Silva