E de repente…já nos 40! – EP 8

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

E de repente… a líbido depois dos 40!
No dicionário, a definição de líbido é: desejo sexual; busca instintiva pelo prazer sexual. Freud considerava a líbido como uma força vital ligada ao prazer e à motivação dos comportamentos humanos (e eu apoio esta convicção!)

Existem temas que ninguém nos avisa quando estamos nos 30, ocupadas a sobreviver a carreiras, filhos ou jantares de amigos (onde fingimos que não estamos exaustas). Um desses temas é a líbido depois dos 40. Sim, a líbido: essa entidade misteriosa, selvagem, volátil… quase como um gato. Vem quando quer, ignora-nos quando chamamos, e de repente aparece às três da manhã quando só queríamos dormir.

Mas antes de mais: sim, a líbido pode diminuir. Mas também pode aumentar. Pode transformar-se. Pode reinventar-se. Pode até ficar mais seletiva. A verdade é que aos 40 já não temos paciência para coisas que não valem a pena. Se é para haver fogo, que seja incêndio. Se é para haver intimidade, que seja com presença. Se é para haver prazer, que seja real e não um “check” numa lista antes de ir estender uma máquina de roupa.

E a líbido não é só física, também envolve emoções, relação com o corpo, autoestima, saúde hormonal, cansaço, stress e até a qualidade das relações. 

Então… porque é que a líbido sobe, desce, desaparece e às vezes reaparece como quem não deve nada a ninguém? Parece aquela amiga imprevisível do grupo!

Às vezes está cheia de energia, motivada, pronta para dançar até às 4 da manhã.

Outras vezes nem quer sair do sofá e só fala em mantas, séries e chá.

E está tudo bem. A líbido é assim. E depois… as hormonas são como um comité sindical que decide tudo sem pedir opinião. E o cansaço? E a rotina do dia-a-dia?

Nada mata a líbido mais depressa que: a lista de tarefas que ainda tens para fazer, uma criança a chamar “mããããeee” pela 17ª vez ou o despertador que vai tocar dentro de 6 horas (ou menos).

Spoiler: a líbido gosta de atenção, carinho, brincadeira, sentir-se desejada. 

Se a relação entra na rotina tipo manual de instruções, a líbido boceja e vai fazer scroll no Instagram. Mas se há cumplicidade, risos, toque, conversa (e tempo! o precioso tempo!), a líbido aparece fresca e luminosa, como quem diz: “Olá! Eu estive aqui o tempo todo, só estava a precisar que me chamassem com gentileza.”

Há quem diga que a líbido depois dos 40 é um renascer. E, na verdade… pode ser. Porque é quando começamos a dar prioridade ao que realmente importa, incluindo nós próprias.

Por isso, se sentes que a tua líbido mudou, que aparece quando quer (ou quando não quer), que precisa de mais tempo, mais cuidado ou simplesmente mais graça… RESPIRA! Não estás sozinha. É só mais um capítulo deste maravilhoso e caótico livro que é ser mulher depois dos 40.

E se por acaso, numa noite qualquer, a líbido não aparecer… paciência.

Lembra-te: a líbido gosta quando nós gostamos de nós. Quando nos tratamos com carinho. Quando nos damos espaço para sentir. Quando não exigimos perfeição.

Quem mais anda por aí a conhecer esta amiga de sempre de uma outra forma?

Artigo por Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream