Criar um filho é, no fundo, criar um adulto que ainda não existe. Todos os dias, nas pequenas rotinas, nas palavras que usamos e nas coisas que permitimos, estamos a construir a forma como eles vão ver o mundo e a forma como se vão ver a si próprios e aos outros.
Quando falamos em criar uma mulher forte e um homem que respeite as mulheres, não estamos a falar de duas missões diferentes. Estamos a falar da mesma base: criar crianças que sabem o seu valor e que reconhecem o valor dos outros.
Tudo começa muito antes do que imaginamos.
Uma mulher forte não nasce apenas daquilo que lhe dizemos. Nasce daquilo que lhe permitimos ser. Nasce quando não a ensinamos a ser sempre simpática, sempre fácil, sempre acomodada. Nasce quando ela percebe que pode ocupar espaço, fazer perguntas, ter opinião e dizer não sem sentir culpa. Quando uma menina cresce num ambiente onde é ouvida, levada a sério e respeitada, aprende naturalmente a respeitar-se a si própria.
Mas também nasce do exemplo. Da forma como vê a mãe tratar-se a si mesma. Da forma como vê o pai tratar a mãe. Da forma como percebe que o amor não é controlo, que o respeito não é opcional e que a sua voz tem importância.
Ao mesmo tempo, um homem que respeita as mulheres não é criado através de discursos complexos. É criado através da normalidade. Quando um rapaz cresce a ver as mulheres à sua volta como pessoas completas, com desejos, limites, opiniões e autonomia, aprende que o respeito não é algo que se oferece por exceção, mas algo que faz parte da base.
É importante que os rapazes aprendam desde cedo que as emoções não são fraqueza. Que podem chorar, expressar-se e ser vulneráveis sem perder valor. Porque muitos dos comportamentos que mais tarde se tornam problemáticos nascem precisamente da repressão emocional e da ideia de que têm de ser duros, dominantes ou invulneráveis.
Criar homens que respeitam as mulheres também significa ensiná-los que ninguém lhes deve nada. Que o afeto não é uma obrigação. Que o consentimento é essencial. Que o cuidado, a empatia e a escuta são formas de força, não de fragilidade.
Mas talvez a parte mais importante seja esta: as crianças aprendem mais com o que observam do que com o que lhes dizemos.
Aprendem ao ver quem fala mais à mesa. Quem interrompe. Quem pede desculpa. Quem ocupa espaço sem pedir autorização.
Aprendem quando veem uma mãe que se respeita. Um pai que escuta. Adultos que pedem desculpa quando erram. Adultos que não reforçam estereótipos limitadores.
Criar uma mulher forte não é torná-la invencível. É torná-la consciente de que tem valor, independentemente do que o mundo lhe diga. Criar um homem que respeite as mulheres não é torná-lo perfeito. É ensiná-lo a ver as mulheres como iguais, não como algo a temer, controlar ou conquistar.
No final, não estamos apenas a criar meninas e meninos. Estamos a criar o tipo de mundo onde eles vão viver.
E tudo começa em casa.
#GlitterUpYourLife