Is having a boyfriend embarrassing now? Não, mas descentrares-te é

Há uns dias, o artigo da British Vogue com o título “Is Having a Boyfriend Embarrassing Now?” apareceu-me no feed e tive de ler. O título é deliciosamente provocador e, se estivermos com atenção, percebemos que não constitui uma tese anti-namorados, mas um espelho de como o nosso olhar sobre o amor e as relações mudou. Ainda que parta de uma perspetiva heteronormativa, a reflexão que levanta é universal: fala sobre autonomia, sobre escolha e sobre como nos posicionamos dentro das relações. Vamos falar sobre isso?

Crescemos com a narrativa de que o “felizes para sempre” era o destino final. Hoje percebemos que o “felizes” vem primeiro, e o “para sempre” é opcional. Esta geração percebeu que o amor é bonito e faz-nos sentir vivos, mas não é a única história que temos para contar (nem a mais importante). 

No artigo, Chanté Joseph fala sobre como, nas redes sociais, muitas mulheres já não publicam fotos dos namorados, quando muito fazem só um “soft launch” misterioso: uma mão, um prato partilhado, um cotovelo suspeito. Há quem leia isso como vergonha, eu acho que há uma grande diferença entre esconder e simplesmente não ter necessidade de mostrar. Depois também há quem evite postar por mau olhado (o grande inimigo do romance digital). Afinal, quem nunca ouviu a história da amiga que publicou o namorado e, duas semanas depois, puff: acabou? 

Brincadeiras à parte, o que mudou na forma como nos relacionamos e encaramos as relações foi o centro da gravidade: a vida não gira em torno do parceiro e isso reflete-se na presença online. 

Atualmente, as mulheres estão mais focadas em si mesmas, nas suas carreiras, nos sonhos, na independência emocional e financeira. E isso não é sinónimo de frieza ou desapego. Pelo contrário, é apenas o resultado de sabermos que podemos ser completas sozinhas, que somos poços de amor, mas que um namorado é uma escolha, não uma necessidade.

E talvez essa seja a parte que mais confunde alguns homens. Se estão a ler isto, as mulheres não precisam de vocês, mas isso não quer dizer que não vos queiram. Há uma diferença importante entre precisar e escolher e, sejamos honestos, ser escolhido por alguém que se basta a si próprio devia ser o maior elogio possível.

A crescente (e tão necessária) valorização do amor próprio e da imposição dos chamados high standards é um travão no começo de relações “só porque sim”. A mulher de 2025 não vai estar envolvida com alguém que não a trata como ela sabe que merece. Se está tão feliz, bem resolvida, ocupada e cheia de vida: porque raio se submeteria a uma situação onde não é valorizada? Exatamente.

No fundo, o artigo da Vogue não é um manifesto contra o amor, é um retrato do que acontece quando deixamos de viver para sermos “a namorada de” e começamos a ser simplesmente nós. 

O amor continua a ser uma peça incrível, aliás, das mais bonitas do nosso puzzle, só que agora já não o vemos como um “fim”, mas como um extra. É o bónus que se soma a uma vida que já é, por si só, inteira.

Então não, ter um namorado não é embaraçoso, o que seria embaraçoso era precisarmos dele para nos sentirmos válidas e completas. E se há algo que esta nova era de mulheres nos mostra é que o amor não perdeu importância, ganhou profundidade. Vem como uma certeza de que se estamos, é porque gostamos e nunca porque precisamos. Exatamente como deveria ser, certo?

#GlitterUpYourLife