E de repente…já nos 40! – EP.5

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

Saúde é o maior luxo da vida!
Aquele clichê que ouvimos desde sempre, não é.
As mães e as avós já o diziam e nós com 15, 20, 30 anos não queremos nem saber. Entra pelo ouvido a cem quilómetros hora e sai a duzentos e aquelas conversas sobre as maleitas que vamos conquistando na vida, em jantares com amigos dos nossos pais (eles já com 40`s e muitos), parecem surreais.

Sinto que, hoje, a saúde está no centro de tantas conversas, sou bombardeada com mil um posts, dicas e mais dicas em sites e plataformas que promovem a saúde e o bem-estar como se fossem pãezinhos quentes a sair da padaria logo às nove da manhã! E, apesar de darmos de caras com tantas informações erradas, por outro lado, ainda bem que a Saúde (como se ela fosse uma mulher, uma nova amiga, que aparece na nossa vida de um momento para o outro!) é tópico de discussão, de partilhas, de dicas que nos inspiram e que nos levam a querer estar no nosso melhor.

Lá está, eu já sabia (desde cedo) que a saúde é mesmo o nosso maior luxo na vida.

Mas só percebi e senti realmente o efeito desta “frase feita” quando soprei as 40 velas – altura em que deixa de ser apenas um desejo, algo meio etéreo, e passa a ser quase um modo de vida obrigatório.

Quando somos mais novos, achamos que nada nos poderá parar. Agimos como se fossemos uma aplicação de telemóvel que nunca precisa de atualização: com energia infinita, comer “tudo e mais alguma coisa”, beber, dormir três horas e ainda dar conta do recado (lembram-se dos tempos de faculdade em que saíamos à noite de domingo a domingo?).

Ah, como éramos invencíveis! E mal sabíamos que a saúde está para a vida como a bateria está para o telemóvel – se não a soubermos tratar, chega uma altura em que nem o carregador mais potente resolve.

Já depois dos 40, começa a festa a mudar de tom. E nem penses em ignorar o corpo! Ele tem imensa força (para se queixar), e faz questão de nos lembrar que não somos eternos. Por exemplo, há pouco mais de um ano a minha tiroide pregou-me uma partida. Nunca me tinha preocupado com ela e, de repente, descubro que é “casa” de um nódulo maligno e toca de a tirar, para sempre. Até pode parecer meio despreocupado, mas, na verdade, não é: fiquei assustada e enchi-me de força e coragem para resolver o que fosse preciso e ficar bem. E consegui, com tranquilidade e confiança, conquistadas com horas de terapia e muito foco. Hoje, sinto-me muito bem e todas as manhãs quando acordo tomo um mini comprimido.

Esta “descoberta” da importância da saúde não é uma chatice. Muito pelo contrário, torna-se até numa espécie de luxo – um luxo de cuidar de nós mesmas! Passei a dar muito mais valor ao meu tempo e a escolher bem melhor o que quero fazer com ele: uma massagem, uma aula de yoga, uma boa noite de sono, um jantar tranquilo com as amigas, ler aquilo que gosto, comer bem, fazer uma boa caminhada ao sol. Cuidar do corpo, da mente e do espírito!

Volto a repetir: a saúde é o nosso maior luxo! Logo de seguida, o tempo! Aos 40 sinto que a minha vida é mais luxuosa que nunca. E não existe nada de material, óbvio. Passamos tanto tempo a “desejar coisas” quando aquilo que efetivamente nos faz sentir vivos, não se compra nem tem preço de venda.

A verdade é que passamos a ter de tomar estas decisões. São escolhas: penso muito mais sobre determinadas situações, momentos, programas, pessoas, olho mais para dentro e menos para fora e sou mais verdadeira.

Principalmente, comigo mesma!

Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream