Crazy Dates “O” – EP 6

Previously on Crazy Dates
Conheci o “O” no TikTok, durante um apagão, a cidade sem luz, eu sem juízo.
Mãe, mãos dadas e o beijo que esperou três dias…

Mais um episódio da saga: ‘Eu jurava que desta vez era diferente’.

Sim, eu disse mãe. Porque, no nosso segundo encontro, conheci a mãe dele.
(Sim. A MÃE. Dele.)

O plano era simples: um copo depois de jantar. Ele apareceu com um sorriso tímido, uma camisa azul clara, e aquele charme desorganizado de quem parece fofo mas é claramente plot twist.

A conversa fluiu como vinho branco no verão. Falámos de tudo: viagens, espiritualidade, livros, astrologia. Disse que queria uma mulher verdadeira. Que estava pronto para uma relação, que queria conhecer alguém verdadeiramente. Que estava a mudar de vida.

“Quero alguém com quem possa crescer. Que me desafie.”

Soava bem. Soava… demasiado bem.

Nos dias seguintes, foi como um romance adolescente com crédito ilimitado no telemóvel.
Mensagens a toda a hora.
Voice notes com sotaque britânico.
Conversas sobre futuros improváveis que, de repente, pareciam possíveis.

Passeámos, comemos bem, tirámos fotos, partilhámos silêncios confortáveis.
Ele segurava-me a mão de forma firme, mas gentil – como quem quer proteger, não controlar.
Dizia que me queria ver de novo. Que o tempo parecia pouco.

E eu acreditei.
Não porque estava carente.
Mas porque estava presente.
E naquele momento?
Ele também parecia estar.

A química era óbvia, mas não era só física – era aquele tipo de ligação que te faz pensar: “espera lá… será que isto é mesmo raro, ou sou eu a romantizar mais uma vez?”
Acho que não era só romantização. Havia mesmo algo. E, por um segundo, pareceu recíproco.

Acho que nada resume melhor o início da nossa almost love story do que esta cena digna de filme indie com orçamento limitado.

No terceiro dia, fui buscá-los ao AirBnB – ele e a mãe. A rua? Um escorrega com urbanismo. O carro mal aguentava. Eu também não – a tentar parecer calma, elegante e com o carro mais ou menos limpo.

O “O” entra no carro. Eu, a sentir-me quase adulta funcional, sorrio como quem tem tudo sob controlo. Mal sabia eu que, três segundos depois, ia quase fazer parte de uma estatística trágica do INEM – “AAARRRGHH!”, gritou a mãe. Perna fora. Drama dentro. E eu só queria um date, não um homicídio involuntário.

O meu coração parou por um segundo – o dela, felizmente, não.
Ficou tudo bem. Sobrevivemos todos. E lá os levei ao aeroporto como se nada tivesse acontecido.

Quando chegamos a mãe dele virou-se para mim com o entusiasmo de quem me estava a recrutar para uma seita e largou:

“Tens o passaporte contigo? Eu levava-te já.”

Querida, fofa, e aparentemente sem ressentimentos pela tentativa de assassinato acidental. Uma verdadeira santa – daquelas que, em vez de aparecer numa aparição, entra num carro em segunda fila e ainda te convida para emigrar.

Na hora da despedida, virou-se de costas com a solenidade de quem respeita os grandes amores. Ou os pequenos flirts com potencial.

“Eu fico ali”, disse, como quem nos dá permissão para viver um momento Nicholas Sparks em plena zona de embarque.

Fiz o que se faz nestas alturas: beijei-o com urgência cerimoniosa, estilo bate-chapas romântico com selo Ryanair, e sussurrei ao ouvido:
“I hope to see you soon.”

Ela virou-se e, como boa personagem secundária roubadora de cenas, lançou alto e bom som:
“Eu adoro esta rapariga. É assim mesmo!”

Realmente… classe não me falta. Já a coordenação motora… é outra história.

Ele dizia que ia voltar a Portugal. Que queria ver-me de novo. Que adorava a minha vibe.
Havia planos de eu ir a Inglaterra, dele voltar a Porto, de viajarmos juntos.
Tudo no campo do “e se…?”.

Mas depois… depois… ele voltou para casa.
E a névoa começou.

As mensagens ficaram mais espaçadas.
Aquele entusiasmo vivo deu lugar a:
“Sinto que estou a sentir pressão… Não quero magoar ninguém… Acho que preciso de tempo…”

O clássico combo do homem que diz que quer uma mulher intensa, mas entra em pânico quando a encontra.

Ele dizia que queria intensidade, verdade, profundidade… mas afinal só queria férias com emoção.

No fim… ele voltou para Inglaterra, disse que precisava de tempo… e pronto. Nunca mais respondeu.

Não houve drama. Nem declaração. Nem sequer um emoji de despedida.
Apenas aquele clássico masculino “fade out”, tipo série cancelada sem aviso.

Eu? Respirei fundo, desliguei as notificações emocionais e fiz o que qualquer mulher lúcida com um armário cheio de vestidos bonitos faria:
Fechei o capítulo.
Apaguei o número, arquivei a memória e comprei um bilhete para outro destino.

Com honestidade, coragem e um gloss cheio de glitter, Joana ✨

#TheGlitterDream