Dou por mim a pensar nesta frase mais vezes do que gostaria.
“Quando isto acontecer, vou estar mais tranquila.”
“Quando conseguir aquele trabalho…”
“Quando mudar de casa…”
“Quando tiver mais dinheiro…”
“Quando for de férias…”
“Quando chegar o fim de semana…”
Parece que estamos constantemente à espera do próximo capítulo da nossa vida. Como se a felicidade estivesse sempre um passo à frente. Sempre dependente de qualquer coisa que ainda não aconteceu. E o mais curioso é que, quando finalmente acontece, não demoramos muito até encontrar um novo “quando”.
Conseguimos aquele trabalho… mas agora queremos uma promoção. Vamos de férias…mas já estamos a pensar na próxima viagem. Compramos a casa… mas agora falta decorá-la. Cumprimos um objetivo… e imediatamente aparece outro. É como se nunca nos permitissemos parar para apreciar aquilo que tanto desejámos.
Confesso que me identifico muito com isto.
Sou uma pessoa que adora planear. Adoro definir objetivos, fazer listas, escrever calendários, organizar os próximos meses e sonhar com aquilo que aí vem. E acho genuinamente que isso é uma das coisas que mais me motiva. Mas também percebi que existe uma linha muito ténue entre viver motivada pelo futuro… e viver constantemente à espera dele. Porque quando estamos sempre focados no próximo objetivo, corremos o risco de transformar a nossa vida numa sala de espera. Como se o presente fosse apenas uma fase de transição. Como se ainda não estivéssemos autorizados a aproveitar.
E isso faz-me pensar.
Quantas vezes adiei a minha própria felicidade porque achei que ainda não era o momento certo? Quantas vezes pensei: “quando isto acontecer, aí sim vou sentir-me realizada.”
Mas a verdade é que a sensação dura muito pouco.
Há uns tempos percebi uma coisa curiosa. Muitas das coisas que eu mais queria no passado… hoje fazem parte da minha rotina. A casa onde vivo. As viagens que hoje planeio com tanto entusiasmo. O trabalho que tanto lutei para construir. E, mais recentemente, a Daisy. Tudo isto já foi um “quando isto acontecer…”. E, no entanto, a minha cabeça continua sempre à procura do próximo objetivo. Como se aquilo que já conquistei deixasse automaticamente de ter valor só porque passou a ser normal. Acho que todos fazemos isto um bocadinho.
Acho que isto acontece porque somos ensinados a viver por etapas. Primeiro a escola. Depois a universidade. Depois o primeiro emprego. Depois a casa. Depois o casamento. Depois os filhos. Depois…
Há sempre um “depois”.
E sem darmos por isso, habituamo-nos a acreditar que a felicidade também funciona assim.
Só que não funciona.
Porque a vida não começa quando atingimos determinado objetivo. Ela já está a acontecer. Enquanto esperamos pela próxima promoção. Enquanto poupamos para a próxima viagem. Enquanto imaginamos a casa dos nossos sonhos. Enquanto pensamos no dia em que tudo vai finalmente fazer sentido. E talvez nunca faça.
Ou talvez faça… durante uma semana. Até encontrarmos um novo objetivo.
Não estou a dizer que devemos deixar de sonhar. Muito pelo contrário. Os objetivos dão-nos direção. Dão-nos motivação. Fazem-nos crescer. Mas acho que também temos de aprender a olhar para trás, de vez em quando.
A celebrar o caminho.
A perceber que muitas das coisas que hoje são a nossa realidade… já foram, um dia, o nosso “quando isto acontecer…”.
A vida que hoje vivemos já foi um sonho antigo.
E esquecemo-nos disso demasiado depressa.
Talvez o verdadeiro desafio não seja deixar de fazer planos. É não deixar que esses planos nos roubem o presente. Porque, se estivermos sempre à espera da próxima fase para sermos felizes… corremos o risco de passar a vida inteira à espera. E, no meio dessa espera, esquecemo-nos de viver aquilo que um dia também desejámos tanto.
Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife